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Campanha de desinformação tenta reverter narrativa e culpar policial morto por prefeito em Igarapé Grande-MA

Após o crime, conteúdos circulam nas redes tentando responsabilizar a vítima, enquanto o autor do disparo permanece em liberdade e afastado do cargo com salário integral.

Desde a execução do policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos, ocorrida no último domingo (6), durante um evento em Trizidela do Vale, uma sequência de conteúdos e mensagens tem circulado nas redes sociais tentando associar à vítima características negativas e comportamentos agressivos. O autor dos disparos foi o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), que teria efetuado cinco tiros pelas costas do policial após uma discussão.

De acordo com testemunhas, o desentendimento teria começado com um pedido feito por Geidson para que o prefeito abaixasse o farol alto de seu veículo. A reação do gestor foi buscar uma arma em seu carro e, ao retornar, disparar contra o militar, que não teve chance de defesa.

A comoção gerada pelo crime mobilizou a sociedade maranhense, mas nos dias seguintes surgiram conteúdos nas redes que levantaram suspeitas de uma possível tentativa coordenada de inverter os fatos. Vídeos, áudios e textos passaram a circular, atribuindo ao policial comportamentos supostamente autoritários e impulsivos, na tentativa de justificar o ato extremo cometido pelo gestor municipal.

Na quarta-feira (9), um veículo de comunicação de São Luís com ligações políticas com o senador Weverton Rocha (PDT) divulgou matéria que reforçava essa tese, adotando um tom que relativiza a gravidade do assassinato e sugere suposta “legítima defesa” por parte do prefeito.

A atuação da chamada militância digital partidária tem sido percebida como um movimento para blindar politicamente o gestor e desqualificar a imagem da vítima. Essa articulação envolveria aliados do grupo político da família Xavier, que possui forte presença no interior do Maranhão. João Vitor é filho do prefeito de Bernardo do Mearim, Junior Xavier (PDT), e sobrinho do ex-presidente da FAMEM, Erlânio Xavier, um dos principais nomes do PDT estadual e aliado de Weverton Rocha.

Até o momento, o senador, liderança nacional do partido e figura influente no grupo, ainda não se manifestou publicamente sobre o caso, o que tem gerado cobranças por parte da opinião pública. O PDT, também não se manifestou e achou melhor silenciar diante de um crime bárbaro para proteger o filiado.

Outro ponto que chama atenção é o tratamento institucional concedido ao prefeito acusado. O pedido de prisão ainda aguarda decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão. Paralelamente, João Vitor Xavier obteve afastamento do cargo por 125 dias, alegando necessidade de tratamento psiquiátrico, mas continuará recebendo integralmente o salário de quase R$ 14 mil mensal durante o período.

Enquanto a Justiça não se pronuncia, o que se vê é um movimento crescente de desinformação, no qual a figura da vítima vem sendo moralmente atacada, como se a conduta anterior de Geidson justificasse a violência sofrida. A tentativa de criar uma falsa equivalência entre vítima e agressor fere os princípios da legalidade, da ética pública e da memória de um servidor que perdeu a vida de forma brutal.

Diante dos fatos, é necessário que as instituições do Maranhão ajam com isenção e celeridade. A responsabilização criminal do autor dos disparos e o fim de possíveis campanhas de difamação contra Geidson Thiago são fundamentais para que a verdade prevaleça e para que sua família não sofra uma segunda dor — a da injustiça.

A sociedade aguarda que o caso não termine em impunidade nem em distorções convenientes ao poder político. A justiça deve ser feita.

Por Joerdson Rodrigues

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