Empresa Mais Saúde, alvo de escândalos, tem contrato de quase R$ 4 milhões com a gestão Jonas Magno em Rosário (MA)
Mesmo com investimentos milionários, a saúde pública de Rosário segue em situação crítica e sem avanços perceptíveis.

A empresa Mais Saúde Ltda., com sede no bairro Macaúba, Zona Sul de Teresina (PI), está no centro de uma série de investigações conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e pela Polícia Militar do Piauí. O estabelecimento foi alvo de mandados de busca e apreensão e chegou a ser interditado na capital piauiense.
Apesar de envolvida em escândalos e suspeitas de contratos fraudulentos, a empresa mantém vínculos com diversas prefeituras maranhenses — entre elas, a Prefeitura de Rosário (MA), administrada pelo prefeito Jonas Magno (PDT).
Contrato de quase R$ 4 milhões
De acordo com o extrato de contrato nº 160867/2025, publicado no Diário Oficial, o Fundo Municipal de Saúde de Rosário firmou com a Mais Saúde Ltda. um contrato no valor de R$ 3.979.004,58, com vigência até 31 de dezembro de 2025.
O documento foi assinado pelo secretário municipal de Saúde, Gediel Pereira Alencar, e prevê o fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares para o município.
O valor expressivo, no entanto, contrasta com a realidade da rede pública de saúde de Rosário, que enfrenta falta de medicamentos, equipamentos precários e reclamações constantes de pacientes sobre a má qualidade do atendimento.
Operação Barão Vermelho e as suspeitas contra a empresa
A Mais Saúde Ltda. é uma das investigadas na terceira fase da “Operação Barão Vermelho”, deflagrada pelo Gaeco dos estados do Maranhão e Piauí.
A operação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em crimes como tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, fraudes em licitações e receptação de cargas roubadas.
Durante a ação, três pessoas foram presas e o estabelecimento da Mais Saúde em Teresina foi interditado. Segundo o Ministério Público, o grupo teria movimentado mais de R$ 197 milhões por meio de empresas de fachada, utilizando veículos, joias, imóveis, embarcações e até aeronaves para ocultar os recursos.
Repasses públicos e falta de transparência
Mesmo com as investigações em andamento e a interdição da empresa, a Prefeitura de Rosário firmou contrato e continua autorizando repasses à Mais Saúde, somando-se a uma lista de administrações municipais maranhenses que mantêm vínculos com a fornecedora.
Órgãos de controle e fiscalização acompanham o caso e já recomendaram a suspensão de novos repasses enquanto as investigações não são concluídas.
Enquanto isso, moradores de Rosário afirmam que a saúde do município segue “na UTI”, com falta de medicamentos, ambulâncias sucateadas e unidades básicas funcionando de forma precária.
Prefeitura ainda não se pronunciou
Até o momento, a Prefeitura de Rosário e o secretário municipal de Saúde, Gediel Pereira Alencar, não se manifestaram sobre o contrato firmado com a empresa investigada. O espaço segue aberto para esclarecimentos ou contrapontos das partes citadas.
Por Carlos Martins



