Família acusa Secretaria de Saúde do governo Brandão de negligência no caso de criança internada em estado grave na UPA do Vinhais
Caso divulgado com exclusividade pelo jornalista Werbeth Saraiva foi confirmado pela equipe do Portal G7.

A situação da pequena Liz Vitória, de três anos, internada há quase 15 dias na UPA do Vinhais, em São Luís, reacendeu o debate sobre a precariedade da rede pública de saúde do Maranhão. A família acusa a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de negligência diante da demora para transferir a criança para um hospital de maior complexidade, apesar de uma decisão judicial determinando a internação imediata.
Liz, que possui paralisia cerebral, epilepsia e hidrocefalia, deu entrada na unidade no dia 30 de abril com um quadro grave de broncopneumonia. Segundo familiares, seu estado tem se agravado, apresentando dificuldade respiratória, sinais de desidratação e risco iminente de morte. Mesmo com liminar expedida pela Vara de Família obrigando o Estado a garantir a internação em hospital público ou privado, a transferência ainda não ocorreu.

A advogada Keilla Verás, representante da família, afirma que o Estado incorre em “omissão grave” ao não cumprir a ordem judicial. A decisão prevê multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento. A UPA teria informado aos familiares que não há leitos disponíveis na rede para receber a paciente, o que impede a transferência.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que Liz será encaminhada para um leito de UTI no Hospital da Ilha e que os procedimentos de transferência já foram iniciados. No entanto, não foi informado prazo para a remoção. Enquanto isso, os familiares aguardam, apreensivos, que o atendimento especializado seja realizado a tempo.
O episódio ocorre em meio a críticas sobre a situação da saúde estadual, incluindo falta de leitos e medicamentos em unidades de atendimento. Também chamou atenção o fato de, recentemente, a Assembleia Legislativa ter aprovado um orçamento de R$ 50 milhões para a aquisição de 217 caminhonetes destinadas a câmaras municipais. Parlamentares da oposição apontam que, diante da crise na saúde, investimentos prioritários deveriam ser direcionados para ambulâncias, leitos e estrutura hospitalar. Já a base governista argumenta que os veículos fazem parte de um programa institucional destinado a fortalecer ações municipais.
Enquanto o debate político continua, a família de Liz aguarda que a transferência seja efetivada e que a criança receba o tratamento necessário para preservar sua vida.
Fonte: Werbeth Saraiva



