BEQUIMÃO

Gestão Zé Martins mantém viva a cultura quilombola de Bequimão-MA

Festival Quilombola de Bequimão é realizado desde 2014 pela Prefeitura Municipal

“Se a gente lembrar as coisas difíceis que o negro passa… Como é difícil um negro ter curso superior; como é difícil os outros reconhecerem a igualdade. É por isso que a gente luta. É por isso que estamos aqui”, desabafou, emocionado, o líder da comunidade quilombola Conceição, Francisco Carlos, conhecido como Pinininho, durante uma das edições do Festival Quilombola de Bequimão. O evento é realizado desde o ano de 2014 pela Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, com a presença de representantes da Secretaria Estadual Extraordinária de Promoção da Igualdade Racial (SEIR).

A fala de Pinininho foi ouvida por moradores das onze comunidades quilombolas que já foram certificadas e por gestores públicos municipais e do governo do Estado. Ele destacou o anseio por um momento em que os quilombolas pudessem se encontrar. “Nós fomos trazidos da África e podemos mostrar para esse povo brasileiro que a gente é importante. As pessoas que vieram da África deixaram de legado pra gente essa cultura tão bonita”, disse.

O líder comunitário lembrou a herança que se materializa no tambor de crioula, forró de caixa, nas religiões de matriz africana, nas benzedeiras e parteiras. São manifestações que, em Bequimão, passaram a ter mais apoio na administração do prefeito Zé Martins, primeiro do país a realizar a Semana do Bebê Quilombola, evento que tornou mais forte a vontade de fazer um festival que reunisse todas as comunidades remanescentes de quilombolas do município.

Durante dois dias, cidadãos dos quilombos, líderes comunitários e de movimentos sociais têm um espaço para dialogar com o poder público, buscando políticas que possam favorecer as comunidades quilombolas. Mais de mil pessoas já participaram do festival. Para o representante do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom) e da Pastoral da Terra, Fábio Silva, a luta é pela garantia de direitos que foram negados historicamente aos descendentes de africanos. “A abolição não existiu, de fato, pois não garantiu saúde, educação e, principalmente, o território onde os negros vivem, trabalham e exercem sua religiosidade. Por isso, precisamos estar unidos, para buscarmos aquilo que nos foi negado”, frisou.

Nos dias do festival, são feitas ações de saúde, encontro das lideranças quilombolas, exibição de vídeos, rodada de conversa e apresentações culturais das diversas comunidades. Em Bequimão, estão certificadas pela Fundação Palmares, como comunidades remanescentes de quilombos, os povoados Santa Rita, Rio Grande, Ariquipá, Ramal do Quindiua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria, Juraraitá e Suassuí.

Por Tribuna de Bequimão

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