Governo Brandão ignora proposta de R$ 339 mil por ambulância e paga R$ 100 mil a mais por cada veículo
Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Patrimônio Público vai apurar suspeita de superfaturamento na compra de 200 ambulâncias.
O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Administração (SEAD), está no centro de mais uma polêmica. Na aquisição de 200 ambulâncias, a gestão do governador Carlos Brandão (PSB) desclassificou uma proposta que ofertava cada veículo por R$ 339 mil, optando pela contratação de outra empresa por R$ 439 mil — uma diferença de R$ 100 mil por unidade.
De acordo com documentos obtidos com exclusividade pelo Portal G7, a proposta mais vantajosa havia sido apresentada pela Manupa Comércio, Exportação, Importação de Equipamentos e Veículos Adaptados Ltda. A empresa chegou a vencer a fase inicial do pregão eletrônico e concedeu um desconto de mais de R$ 100 mil por ambulância, o que representaria uma economia de cerca de R$ 20 milhões aos cofres públicos.
Sem justificativa plausível, a Manupa foi desclassificada. Mesmo após apresentar recurso, a decisão foi mantida pela secretária adjunta de Licitações e Compras Estratégicas, Aline Pinheiro Vasconcelos. O certame acabou sendo cancelado, e em seguida o governo realizou uma dispensa de licitação — compra direta, sem concorrência — contratando a empresa CKS Comércio de Veículos Ltda. pelo valor de R$ 439 mil por unidade.
A situação levanta suspeitas de superfaturamento de R$ 23,3 milhões na negociação. Segundo pesquisa de mercado, ambulâncias semelhantes custam, em média, R$ 322 mil, valor bem abaixo do contratado pelo Estado.
O caso será investigado pela Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, que decidiu desarquivar uma Notícia de Fato para apurar a compra. A promotora responsável é Adélia Maria Souza Rodrigues Morais.
Além de comprometer politicamente a gestão de Carlos Brandão, a apuração pode alcançar também o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), presidido pelo conselheiro Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador, diante de suspeitas de possível prevaricação na análise do processo.



