BABADO DA SEMANA

Infectado pelo CIVID-19, Augusto Heleno teria escrito o discurso de Bolsonaro

A aposta no clima tropical do Brasil orientou pronunciamento de Bolsonaro na TV

Ao redigir o texto do seu pronunciamento sobre o novo coronavírus nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro tentou dar uma resposta rápida aos brasileiros que sofrem com a tração da economia durante o avanço do novo vírus. Pressionado por grupos de seguidores de suas redes sociais a reagir ao isolamento total a fim de impedir um aumento no número de desempregados, Bolsonaro encontrou na diferença climática entre Brasil e Itália o discurso para mostrar que brasileiros podem sofrer menos os efeitos do Covid-19.

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Na conversa com governadores do Centro-Oeste e Sul por videoconferência, na terça-feira, Bolsonaro já havia emitido sinais de preocupação com os rumos da economia caso o período de isolamento se prolongue por muito tempo. A avaliação de aliados do presidente é de que a diferença climática e também nos hábitos entre Brasil e Itália precisa ser considerada neste momento de enfrentamento à pandemia.

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Interlocutores de Bolsonaro avaliam que o Brasil pode repetir a Austrália, país que tem clima quente, semelhante ao nosso, cujo registro de morte por infectados pelo novo vírus está bem abaixo dos registrados na Itália. Em conversas reservadas, a equipe de Bolsonaro argumenta, inclusive, que a Itália é um país em que maioria da população tem hábitos “fumantes”, o que pode intensificar os efeitos do Covid-19.

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— Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália. Um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso País — disse Bolsonaro no pronunciamento.

Apesar do isolamento devido ao contágio do novo coronavírus, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, auxiliou o presidente na confecção do conteúdo do pronunciamento, afirmam aliados. Na preparação do texto, Bolsonaro também recebeu conselhos dos aliados que monitoram as redes sociais, chamados de gabinete do ódio. Já o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não teria acompanhado as gravações.

Bolsonaro foi aconselhado a orientar a manutenção do isolamento a pessoas vulneráveis ou pessoas acima de 50 anos e a “liberar” jovens e crianças para voltar às atividades normais. No pronunciamento em rede nacional de televisão e rádio, pediu a reabertura do comércio e das escolas e o fim do “confinamento em massa”.

— Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas? — questionou Bolsonaro.

Interlocutores avaliam haver preocupação com trabalhadores informais e autônomos que estão sofrendo os efeitos da paralisação da pandemia.  O pronunciamento, porém, acontece às vésperas da conferência com governadores do Sudeste, marcada para a manhã desta quarta-feira. A reunião terá a participação de Wilson Witzel (RJ) e João Doria (SP), que têm travado embates com o presidente. A expectativa é que o clima se acirre ainda mais entre os governantes.

Por Naira Trindade (O GLOBO)

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