ARTIGO

Jornal Pequeno se apequena ao contrariar o legado de Zé Pequeno e defender oligarquias

Fundado por José de Ribamar Bogéa como símbolo de independência e resistência ao poder político, o Jornal Pequeno perdeu sua identidade editorial e virou aliado de tudo o que antes combatia.

Com a evolução tecnológica, o jornalismo também mudou. A rapidez da internet, aliada ao rádio e à televisão, reformulou a forma de fazer comunicação. Os jornais impressos deram lugar aos portais digitais, e os veículos que acompanharam essa transição se mantiveram relevantes. No entanto, alguns insistem em seguir na contramão da história — entre eles, o outrora respeitado Jornal Pequeno.

Fundado em maio de 1951 pelo jornalista José de Ribamar Bogéa, o Zé Pequeno, o Jornal Pequeno nasceu com um propósito claro: ser uma trincheira contra o mandonismo político, a censura, o autoritarismo e as oligarquias que dominaram o Maranhão por décadas. Seu compromisso com a verdade e a independência editorial o transformaram no “Órgão das Multidões”, um título conquistado com coragem e jornalismo sério. Mas hoje, o que se vê é um veículo irreconhecível diante de sua própria história, defendendo oligarquias a exemplo de Antônio Américo, na FMF e da família Brandão no Palácio dos Leões, que pretendem se perpetuar no poder.

Ao longo dos últimos anos, o JP tem abandonado os ideais de seu fundador e assumido uma postura cada vez mais subserviente aos interesses que antes combatia. O jornal que já simbolizou resistência, passou a ser um defensor de oligarquias e de governos que representam tudo o que Zé Pequeno repudiava. A crítica corajosa deu lugar à conivência conveniente. A independência foi trocada por alianças políticas e ataques direcionados a colegas de imprensa, numa tentativa de agradar a quem hoje paga a conta.

Zé Pequeno construiu um legado ético, de compromisso com a verdade, mesmo diante de perseguições e dificuldades. Respeitado por jornalistas, leitores e até adversários, nunca confundiu jornalismo com bajulação. Produzia matérias, artigos e reportagens pautados em fatos, e não em conveniências políticas ou interesses pessoais. Jamais utilizou o jornal para agredir gratuitamente ou escrever em nome de terceiros.

O exemplo de Zé Pequeno deveria servir de guia aos seus sucessores. Seu Jornal Pequeno abria espaço para a cultura, o esporte, a literatura, o meio ambiente e o turismo. Era plural, diverso e respeitado — até por quem o criticava. Hoje, infelizmente, resta pouco desse espírito. O JP encolheu no mundo digital e agoniza no impresso, vítima de suas próprias escolhas editoriais.

Se estivesse vivo, Zé Pequeno certamente se envergonharia do rumo tomado pelo jornal que fundou. O JP perdeu a alma, a essência e a credibilidade que o tornaram um ícone da imprensa maranhense. E, ao se afastar do seu verdadeiro papel, tornou-se apenas mais um veículo a serviço de interesses — exatamente o que ele mais combatia.

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