Jovem Raquel Cristina morre à espera de leito para tratamento contra o câncer no Maranhão
Caso reacende debate sobre estrutura da rede estadual de saúde e tempo de espera por vagas hospitalares.

A morte da jovem Raquel Cristina, moradora de Coroatá, voltou a expor a situação da saúde pública no Maranhão. Ela estava internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, aguardando transferência para um leito especializado em São Luís, onde daria continuidade ao tratamento contra leucemia, um tipo de câncer que afeta o sangue. A transferência, no entanto, não ocorreu a tempo.
Nos últimos dias, o caso ganhou repercussão após o deputado estadual Othelino Neto (PSB) divulgar nas redes sociais o apelo feito pelos pais da jovem. O pedido por socorro também foi repercutido pelo portal G7. Segundo familiares, Raquel aguardava regulação para um leito em hospital especializado na capital maranhense, mas permaneceu internada na UPA até o falecimento.
Em publicação, Othelino Neto manifestou pesar e fez críticas à condução da política de saúde no estado. “Registro meu profundo pesar à família e aos amigos. Mas também faço este alerta com responsabilidade: isso não é um caso isolado. É o retrato de um sistema que falha, enquanto o governo prefere gastar milhões com festas e eventos, deixando faltar o essencial: atendimento digno, leitos e assistência médica”, escreveu o parlamentar.
O deputado acrescentou que continuará exercendo o papel de fiscalização. “Quando o Estado erra, quem paga é o povo. Vidas não podem continuar sendo tratadas com descaso. Sigo cumprindo meu papel de fiscalizar, denunciar e defender os maranhenses”, declarou.
A gestão do governador Carlos Brandão tem sido alvo de críticas da oposição, que aponta suposto descompasso entre investimentos em eventos festivos, como o Carnaval, e a estrutura da rede estadual de saúde. Segundo os críticos, há filas extensas por consultas, exames, cirurgias e leitos hospitalares tanto na capital quanto no interior.
Parlamentares aliados do governo, incluindo deputados da base com formação na área médica, ainda não se pronunciaram publicamente sobre o caso específico.
A morte de Raquel Cristina reacende o debate sobre a regulação de leitos e a capacidade de atendimento da rede estadual. Especialistas em gestão pública defendem maior transparência nos critérios de regulação e ampliação da oferta de vagas hospitalares para reduzir o tempo de espera e evitar que novos casos semelhantes ocorram.
Até o momento, o Governo do Estado não divulgou nota oficial detalhando as circunstâncias da regulação do caso.



