Justiça precisa acionar motorista de aplicativo que filmou e expôs universitária deficiente em motel
Artigo escrito e publicado por João Filho - Jornalista, Radialista e Pesquisador sobre o rádio maranhense

O caso da jovem universitária de São José de Ribamar, filmada por um motorista de aplicativo na entrada de um motel e posteriormente exposta nas redes sociais, escancara o nível de desrespeito e crueldade que ainda permeia parte da sociedade — sobretudo contra mulheres com deficiência.
A vítima, que teve sua intimidade violada, formalizou denúncia na Polícia Civil e usou as redes sociais para relatar o episódio, exigindo justiça. Segundo o depoimento da jovem, identificada como Nel, o motorista a filmou sem autorização no momento em que ela deixava o veículo, nas proximidades do motel. Depois, divulgou o vídeo com comentários maldosos e cruéis, em tom claramente preconceituoso.
“Chamei no app, ele foi educado, se mostrou de boa fé. Mas depois que desci do carro e virei de costas, ele me filmou sem meu consentimento e divulgou nas redes sociais com palavras cruéis e maldosas”, relatou Nel em entrevista exclusiva à página Guimarães News.
A gravação rapidamente se espalhou por grupos de WhatsApp e páginas de Instagram, gerando uma enxurrada de comentários ofensivos — muitos com teor homofóbico, capacitista e machista —, escancarando a falta de empatia de quem banaliza a dignidade alheia em troca de curtidas e engajamento virtual.
Nel só tomou conhecimento do vídeo um dia após o encontro. “Na hora que vi, comecei a chorar. Não foi por vergonha, foi pela maldade das palavras, pela exposição. Foi o pior dia da minha vida. Me senti impotente, sem saber o que fazer. Só queria entender o porquê de tanta crueldade”, desabafou.
A jovem, que perdeu uma das pernas em 2016, relata que sempre viveu com autonomia e força. “Nunca dependi de ninguém pra nada. Já enfrentei muita coisa, mas nunca tinha sofrido um preconceito assim”, contou.
O episódio gerou forte repercussão nas redes sociais, com manifestações de apoio à vítima vindas de amigos, seguidores e até desconhecidos que se solidarizaram diante da brutalidade do caso.
Agora, espera-se uma resposta rápida das autoridades. A Delegacia da Mulher e a Casa da Mulher Brasileira precisam agir com urgência. A Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa também tem a responsabilidade de se posicionar — até agora, permanece em silêncio.
Esse tipo de violência não pode ser naturalizado. É inadmissível que, em pleno 2025, uma mulher — ainda mais uma mulher pobre e com deficiência — seja alvo de escárnio público apenas por exercer sua liberdade e seu direito de viver com dignidade e afeto.
A justiça precisa responsabilizar o motorista, baní-lo da plataforma e garantir à vítima todo o apoio legal e psicológico necessário. Só assim será possível enviar um recado claro: a violência contra a mulher, seja física, moral, psicológica ou digital, não passará impune.
Nossa solidariedade à vítima.
Nos colocamos inteiramente à disposição da jovem universitária, vítima de uma violência covarde e inaceitável. Caso deseje se manifestar publicamente ou precise de apoio para apresentar denúncias formais contra o autor dessa exposição criminosa, estamos aqui para ajudar.
Nosso canal está aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias do ano. Conte conosco. Nenhuma mulher deve enfrentar sozinha esse tipo de violência.



