POLÍCIA

Mulher morre após esperar nove horas por atendimento no Pronto Socorro do São Francisco, em São Luís

Thayanne Alves, de 32 anos, apresentava sintomas graves, mas não recebeu exames adequados nem foi transferida a tempo. Família denuncia negligência.

A saúde pública de São Luís enfrenta um colapso silencioso. Enquanto o prefeito Eduardo Braide foca em maquiar Unidades Básicas de Saúde, tentando vendê-las como hospitais, a realidade nas emergências é de descaso e sofrimento. Nesta quarta-feira (16), Thayanne Pereira Alves, de 32 anos, morreu após passar quase nove horas em atendimento no Pronto Socorro do São Francisco, sem receber o suporte necessário.

Thayanne chegou à unidade por volta das 13h45 da terça-feira (15), levada por um carro de aplicativo, já que não tinha condições físicas de se locomover de moto. Ela apresentava sintomas alarmantes: fortes dores na cabeça e na nuca, vômitos constantes e quadro de extrema debilidade física. Mesmo assim, não foi submetida a exames específicos e permaneceu sendo apenas medicada até morrer, por volta das 22h30.

Medicação paliativa e falta de exames

Segundo relato do pai da vítima, ao dar entrada no hospital, Thayanne foi colocada numa maca em um ambiente abafado. Apesar da dor intensa, os profissionais limitaram-se a administrar soro, dipirona e bromoprida, em intervalos regulares de duas horas. Não houve solicitação imediata de exames de imagem e, segundo o laudo entregue à família, a tomografia craniana sequer chegou a ser realizada.

Transferência negada e ambulância fantasma

Desde as 15h20, a família solicitava, sem sucesso, a transferência de Thayanne para o Socorrão I (Hospital Djalma Marques). A ambulância só foi acionada às 18h40 e, ao chegar ao hospital, não levou a paciente: foi usada apenas para entregar medicamentos e saiu minutos depois, sem realizar o transporte.

A transferência definitiva só foi tentada quando Thayanne já estava em estado crítico, mas já era tarde demais. “Eles ficaram empurrando com a barriga, só medicando, sem saber o que ela tinha. Quando tentaram levar, ela morreu”, relatou um familiar, revoltado com a demora e o descaso no atendimento.

Prontuário negado e dúvidas no laudo

Após a morte, a família tentou obter o prontuário médico completo para registrar boletim de ocorrência, mas a unidade forneceu apenas um laudo simplificado, com horários de entrada e óbito. A assistente social se recusou a chamar o médico responsável e informou que apenas ele poderia liberar o prontuário.

O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontou a presença de um cisto na cabeça da paciente. Para os parentes, se o exame de imagem tivesse sido feito no momento da entrada, a condição poderia ter sido diagnosticada e tratada a tempo.

Luto e cobrança por justiça

Thayanne era casada e mãe de um bebê de apenas nove meses. Agora, a família busca responsabilização por possíveis falhas médicas e negligência no atendimento prestado.

A morte de Thayanne escancara mais uma vez o estado crítico da saúde municipal de São Luís, onde a falta de estrutura, gestão ineficiente e abandono do atendimento básico têm custado vidas.

Fonte: Folha do Maranhão

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