Pré-Carnaval de Palmeirândia é marcado por denúncias de perseguição a blocos tradicionais
Organizadores de blocos tradicionais e moradores relatam que o prefeito Edilson da Alvorada estaria perseguindo adversários e derramando dinheiro a bloco ligado à primeira-dama.

O clima do pré-carnaval de Palmeirândia, historicamente conhecido pela diversidade, pela alegria e pela valorização dos blocos populares, vem sendo substituído por insatisfação, denúncias e sensação de perseguição. Organizadores de blocos tradicionais e moradores relatam que a atual gestão municipal, comandada pelo prefeito Edilson, estaria restringindo iniciativas comunitárias, ao mesmo tempo em que concentra altos investimentos em um único bloco ligado à primeira-dama do município.
De acordo com representantes de blocos tradicionais, a prefeitura tem imposto obstáculos à realização das concentrações durante o período pré-carnavalesco, inviabilizando pontos estratégicos e reduzindo o espaço de atuação de manifestações culturais que, há décadas, integram a identidade de Palmeirândia. As medidas, segundo os organizadores, estariam enfraquecendo blocos populares que sempre sustentaram a festa com apoio comunitário e recursos próprios.
Em sentido oposto, o bloco “Patricinha Fashion”, associado à esposa do prefeito, Patrícia, desponta como o principal beneficiado da programação do pré-carnaval de 2026. O bloco contará com estrutura robusta e atração nacional — a banda Chicabana —, investimento considerado incompatível com a realidade enfrentada pelos demais blocos, que relatam ausência de apoio institucional.
Outro ponto que tem gerado forte reação é a definição do local de concentração do bloco da primeira-dama. Conforme divulgado, a gestão municipal autorizou que o evento tenha início no tradicional Triângulo, com percurso superior a cinco quilômetros até a praça principal. Na avaliação de organizadores e moradores, a decisão tende a esvaziar a sede do município, comprometendo a circulação e a visibilidade dos demais blocos que tradicionalmente concentram o pré-carnaval no centro da cidade.
Além das dificuldades estruturais, surgiram denúncias consideradas ainda mais graves. Servidores contratados pelo município afirmam estar sofrendo pressão do prefeito Edilson e da primeira-dama para não participarem de blocos que não estejam alinhados à gestão. Segundo os relatos, o recado seria direto: quem depende de contrato com a prefeitura deve evitar qualquer envolvimento com blocos considerados fora do grupo político dominante.
Para lideranças comunitárias, o cenário configura arbitrariedade e levanta suspeitas de uso indevido da máquina pública, transformando uma manifestação cultural popular em instrumento de exclusão e coerção. “O pré-carnaval sempre foi do povo, especialmente dos mais humildes. Hoje, o que vemos é perseguição e favorecimento escancarado”, afirmou um organizador de bloco que pediu anonimato.
Diante das denúncias, o pré-carnaval de Palmeirândia — antes símbolo de união e pluralidade cultural — corre o risco de se tornar um evento centralizado e marcado por desigualdade. A população cobra explicações da gestão municipal e respeito aos blocos tradicionais que, ano após ano, mantêm viva a cultura popular da cidade.
Enquanto isso, cresce entre moradores e organizadores o sentimento de que a alegria do pré-carnaval está sendo substituída por medo, constrangimento e exclusão daqueles que historicamente sempre fizeram a festa acontecer.



