LEGISLATIVO

Prefeito Braide prega independência entre poderes, mas tenta interferir na eleição da Câmara de São Luís

Opositores do prefeito afirmam que a intenção dele é transformar o Parlamento num "puxadinho" da Prefeitura de São Luís

No dia 9 de dezembro de 2020, poucos dias após ter sido eleito como prefeito da capital, Eduardo Braide (Podemos), fez uma visita na Câmara de São Luís. Na época, ocupou a tribuna, fez uma saudação aos vereadores e ratificou respeito e harmonia entre os Poderes.

“Saúdo a todos os vereadores. Venho aqui, para mostrar o respeito que temos que ter entre a Prefeitura e a Câmara. Venho aqui, também, trazer uma mensagem de que todos nós temos que respeitar a Constituição. Portanto, pretendo manter a harmonia a partir de janeiro do ano que vem”, disse.

O discurso de independência e harmonia permaneceu até o dia 30 do mês passado, quando voltou a ser questionado, durante entrevista ao programa Ponto Final, da Mirante AM, sobre seu posicionamento em relação a eleição para presidência da Casa, que ocorre na primeira quinzena do próximo mês de abril.

“Eu, por já ter sido do Parlamento, sei a independência que o Parlamento tem que ter e a harmonia que tem que conviver os poderes. Certamente, essa é uma eleição que deve ser discutida dentro da Câmara [para] escolher quem deverá ser o comandante para o segundo biênio”, frisou.

O problema, entretanto, é que foi mais uma promessa que fez em público que ele não cumpriu. Visando interferir no processo de escolha, Braide tentar formar maioria para o processo eleitoral. O próprio chefe do executivo estaria conduzindo reuniões com aliados tentando interferir no pleito, conforme revelou alguns aliados.

Na entrevista, Braide chegou a afirmar que não iria se envolver na eleição e destacou alguns dos projetos enviados pelo Executivo que foram aprovados, inclusive, por unanimidade, pelos 31 dos parlamentares. Ou seja, sem voto contrário da oposição.

A interferência já começou a trazer sequelas, pois nas últimas 24 horas, pelo menos quatro vereadores – Astro, Aldir, Marcial e Chaguinhas – manifestaram apoio no candidato que não tem a chancela do Palácio de La Ravardière.

Alguns opositores do prefeito ouvidos pelo blog afirmam que a intenção do gestor é transformar o Parlamento num anexo da Prefeitura de São Luís. O Coletivo Nós (PT) é um dos mais críticos neste sentido.

Por Isaías Rocha

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