Presidentes de Ligas e Clubes declaram apoio a Antônio Américo após suposto perdão de dívidas na FMF
Fontes ligadas ao Palácio dos Esportes afirmam que o presidente da FMF teria perdoado dívidas de Ligas e Clubes em troca de apoio político

Apesar de 14 anos de uma gestão marcada por críticas, esvaziamento dos campeonatos estaduais e perda de prestígio no cenário nacional, o presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Antônio Américo, continua recebendo apoio de presidentes de Ligas e de Clubes filiados à entidade. O curioso é que esse apoio vem após denúncias de que a FMF teria perdoado dívidas dessas entidades em troca de votos.
Fontes com trânsito livre no Palácio dos Esportes, sede da FMF em São Luís, revelaram que presidentes que antes criticavam a administração de Américo teriam mudado de opinião logo após suas pendências financeiras com a entidade serem perdoadas. O suposto “alívio financeiro” seria um movimento estratégico para garantir maioria em votações internas e blindar a atual gestão contra ações como a Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Maranhão contra a FMF. Até bolas teriam sido doadas a presidentes de Ligas.
Enquanto isso, o futebol maranhense caminha na contramão do desenvolvimento. O outrora competitivo Campeonato Maranhense Série A virou um torneio de apelo popular nulo, com premiações simbólicas e sem atratividade para clubes, torcedores e patrocinadores, assim como o Torneio Intermunicipal, que já mobilizou centenas de cidades do interior, simplesmente desapareceu do calendário.
Ainda assim, há quem insista em defender a atual administração. O presidente da Liga de Caxias, Edmilson Coutinho, por exemplo, destaca que a FMF ocupa hoje a 15ª colocação no ranking da CBF — a melhor posição da história — e credita esse feito à gestão de Américo, alegando avanços como o aumento no número de competições e a participação do Maranhão na Copa do Nordeste.
Mas Coutinho omite um detalhe importante: esse ranking reflete o desempenho recente do Sampaio Corrêa nas divisões nacionais, sobretudo até 2023, e não se sustenta como um termômetro da qualidade do futebol local. Com o rebaixamento do Sampaio, a tendência é que o Maranhão desça degraus e passe a figurar entre os estados de futebol mais frágil do país, como Acre, Amapá, Roraima, Rodônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Para justificar a debandada do público dos estádios, os defensores da FMF alegam que a responsabilidade seria dos clubes, que não conseguem formar elencos competitivos. Chegam a comparar a falta de público no Campeonato Maranhense com vazios nas arquibancadas da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, esquecendo que essas competições contam com altas cotas de patrocínio da CBF, variando entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por jogo na primeira fase, o que permite aos clubes montar equipes mais estruturadas, mesmo aquelas sem torcedores.
O argumento de que a FMF não é responsável direta pela crise beira o absurdo. Como um clube pode investir em elenco quando o campeão estadual recebe apenas R$ 100 mil — e o vice, R$ 50 mil? Em Pernambuco, por exemplo, o Santa Cruz atraiu mais de 20 mil torcedores por jogo no Estadual 2024 mesmo sem divisão nacional, provando que, com gestão, o torcedor volta ao estádio.
No Maranhão, a lógica é inversa: os clubes precisam gastar R$ 2 milhões para disputar uma competição que não oferece retorno algum. É um modelo insustentável, que empurra as equipes para o amadorismo e afasta o público dos estádios.
Na prática, o suposto perdão de dívidas soa mais como um acordo político para silenciar críticas e blindar a permanência de Américo à frente da FMF, mesmo com um histórico de resultados desastrosos. O foco de boa parte dos dirigentes parece ser apenas limpar o nome junto à entidade, e não reerguer o futebol local. A maioria está mais preocupada em garantir vaga nas competições do que em mudar o estado de falência técnica e institucional que atinge o futebol maranhense.
A equipe do portal G7 entrou em contato com vários presidentes de Ligas, mas todos se recolheram ao silêncio. Alguns, sob anonimato, admitiram que “ouviram falar” sobre perdões de dívidas, mas não quiseram confirmar se estavam entre os “beneficiados”. Também foi solicitada uma nota oficial à assessoria de comunicação da FMF, que ainda não respondeu até o fechamento desta matéria.
Enquanto isso, o futebol maranhense segue derretendo no rebaixamento moral e esportivo.



