BRASIL

Promotor que investiga ‘rachadinha’ no gabinete de Carlos Bolsonaro vai a aniversário da advogada de Flávio

Festa da defensora ocorreu sábado, no Iate Clube do Rio; Alexandre Murilo Graça diz que não há ‘impedimento legal’

O promotor Alexandre Murilo Graça, responsável pelas investigações sobre a prática de “rachadinha” do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), compareceu ao aniversário de 42 anos da advogada Luciana Pires, comemorado no sábado nos salões do Iate Clube do Rio de Janeiro. Luciana é advogada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Carlos e também investigado por suspeita de rachadinha, em outro procedimento.

A investigação conduzida por Murilo Graça se arrasta na 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada. Desde maio passado, quando o juiz  Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio, quebrou o sigilo de Carlos, o promotor praticamente só colheu dois depoimentos, nos quais um dos ouvidos arguiu o direito de permanecer em silêncio e o outro negou a acusação. Fontes do MP-RJ e da Justiça informaram que, até duas semanas atrás, dados das instituições bancárias sobre movimentação financeira não chegaram e nem foram periciados.

A festa, com a presença de 150 pessoas, reuniu entre os convidados advogados, promotores e delegados de polícia. Indagado se viu algum problema em sua presença em evento da defensora de um integrante da família Bolsonaro, Murilo Graça respondeu em nota: “A respeito do seu questionamento, o promotor de Justiça Alexandre Murilo Graça informa que não há, no Código de Processo Penal, impedimento legal em relação à situação descrita.”

Em campanha por uma vaga de desembargador no Tribunal de Justiça pelo Quinto Constitucional, Murilo Graça tem dito que só retomará o caso após a eleição. Ele se candidatou no meio da investigação da rachadinha a uma das três vagas destinadas ao MP-RJ. Na lista sêxtupla em que faz parte, era visto como azarão, sendo favorito o procurador de Justiça Humberto Dalla. Mas uma mudança no cenário político do TJ-RJ tirou espaço de Dalla e deu um alento à candidatura de Murilo Graça.

A investigação sobre o vereador foi aberta com base em reportagem publicada pela revista ÉPOCA, em junho de 2019, na qual foi revelada que Carlos empregou sete parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Bolsonaro, em seu gabinete. Ela foi arguida no dia 7 de outubro, mas preferiu ficar em silêncio. O outro investigado ouvido foi Gilmar Marques, ex-funcionário de Carlos, que admitiu trabalhar no gabinete enquanto morava em Juiz de Fora (MG), entre 2001 e 2008, mas negou que devolvesse parte do salário.

Previsto na Constituição brasileira, o Quinto é um dispositivo jurídico que assegura a representantes da advocacia e do Ministério Público um quinto das vagas dos tribunais de Justiça. O Conselho Superior do MP-RJ organizou 18 candidatos em três listas sêxtuplas e as encaminhou ao colégio do Tribunal de Justiça, a quem cabe reduzir cada relação a três nomes e a enviar ao governador Cláudio Castro (PL), para nomear um de cada lista.
Por Chico Otavio (O Globo)
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