Símbolo da desonestidade: Eduardo Bolsonaro aluga jipe de ex-assessor mesmo morando nos EUA
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Uma apuração do jornalista André Shalders, do portal Metrópoles, escancarou mais um episódio que põe em xeque o discurso de moralidade e honestidade da família Bolsonaro. Enquanto o clã prega combate ao “sistema”, nos bastidores parece reproduzi-lo à risca — ou até aperfeiçoá-lo em benefício próprio.
De acordo com a reportagem, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) alugou um veículo com dinheiro público da Câmara dos Deputados mesmo após ter se mudado para os Estados Unidos, em fevereiro deste ano. O carro — um Jeep Commander — foi locado nos meses de fevereiro e março por R$ 8 mil mensais, mesmo com Eduardo já fora do país desde o dia 10 de fevereiro.
Mais grave ainda: o veículo foi alugado de uma empresa pertencente a um ex-assessor do próprio deputado, Joel Novaes da Fonseca. A firma, chamada Novacar Locadora de Veículos Ltda, não possui site, não tem perfis nas redes sociais e sequer funciona no endereço informado na nota fiscal. O local indicado, um edifício empresarial na W3 Norte, em Brasília, abriga apenas um coworking, utilizado pela empresa como endereço fiscal.
Na manhã de quarta-feira (23), a equipe do Metrópoles esteve no local. Funcionários do coworking confirmaram que nenhum representante da Novacar trabalha ali regularmente.
Histórico de relações promíscuas com a máquina pública
Após Jair Bolsonaro assumir a Presidência da República, a Novacar passou a ser procurada por deputados do Partido Liberal, muitos da base aliada do ex-presidente, que buscavam locadoras de veículos para seus gabinetes. A empresa já havia sido tema de uma reportagem do Metrópoles em 2022, quando era registrada em nome de dois militares da reserva: Ricardo Roberto Boeira e Antonio Luiz Veneu Jordão.
O próprio Joel Fonseca tem um extenso histórico de cargos públicos ligados à família Bolsonaro. Além de ter sido assessor de Eduardo na Câmara, foi também assessor especial da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro. Enquanto ocupava cargos no Planalto, sua família já operava uma locadora chamada Locar1000, registrada em nome de sua esposa e filha, e também bastante popular entre congressistas bolsonaristas.
Com essas conexões, a suspeita é de que a Novacar funcione como um braço informal do gabinete de Eduardo Bolsonaro — ou, como alguns observadores definem, uma espécie de “máquina de lavar dinheiro público”.
Despesas fantasmas, reembolsos e falta de transparência
Mesmo ausente do Brasil, o mandato de Eduardo Bolsonaro continuou apresentando despesas com combustíveis e pedágios, supostamente utilizados em suas atividades parlamentares, que teriam sido executadas por assessores. Pelas regras da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) — a famosa “cotão” — esses gastos são permitidos, desde que devidamente comprovados e vinculados ao mandato.
As notas fiscais do aluguel do Jeep foram emitidas em 4 de fevereiro (nº 34) e 5 de março (nº 58). Em ambos os casos, a Câmara glosou parte do valor solicitado — R$ 2.666,66 em cada mês, ou um terço dos R$ 8 mil — por considerar a despesa irregular ou mal justificada.
A denúncia foi inicialmente publicada pelo jornalista Hugo Souza, em seu blog, e confirmada posteriormente pelo portal Metrópoles, parceiro editorial do Portal G7.
Silêncio incômodo
A reportagem tentou contato com Eduardo Bolsonaro e sua equipe de comunicação, mas não obteve resposta até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
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