Viagem Perdida: Governador Brandão pode perder PT e PSB de uma tacada só
Esperteza de Brandão pode comprometer seu mandato se oficializar rompimento com Lula

Ao optar por flertar abertamente com o bolsonarismo no Maranhão, o governador Carlos Brandão começa a colher os frutos amargos da sua estratégia. A tentativa de se manter em cima do muro, ou pior, de escantear antigos aliados para acomodar novos interesses, pode custar caro. O primeiro sinal veio com a possível perda do controle do PSB no Maranhão, após o afastamento de Felipe Camarão — vice-governador e nome respeitado tanto na política local quanto junto ao governo federal.
Mas o prejuízo político não parou por aí. Brandão também corre sério risco de perder o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) e, por consequência, o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo sabendo do passado antipetista do ex-tucano, Lula vinha tratando Brandão com deferência institucional, garantindo recursos e apoio político. Agora, com a guinada à direita e a aproximação com figuras como Pedro Lucas, Aluísio Mendes, Antônio Rueda e o ministro Fufuca, esse apoio está por um fio.
Fontes ouvidas pelo G7 e bem posicionadas na Praça Pedro II afirmam que, se continuar nessa linha, Brandão pode sofrer um isolamento político sem precedentes, culminando no rompimento oficial com o governo federal. O impacto seria imediato: obras com recursos federais correm o risco de paralisação, convênios podem ser congelados e a imagem de Brandão, já desgastada, tende a afundar ainda mais.
Nos bastidores, o governador estaria tentando costurar uma agenda em Brasília com Lula e, paralelamente, com João Campos, prefeito de Recife e presidente nacional do PSB. Mas os sinais de Brasília não são animadores. A gota d’água teria sido a proposta feita a Felipe Camarão: que renunciasse ao cargo de vice-governador para disputar uma vaga na Câmara Federal, abrindo caminho para a ascensão de Iracema Vale ao Palácio dos Leões.
A estratégia seria a seguinte: Brandão renunciaria ao governo em 2026, permitindo que Iracema — atual presidente da Assembleia Legislativa — assumisse o Executivo e concorresse à reeleição com Orleans Brandão, filho de Marcus Brandão, como vice. A ideia seria consolidar uma chapa governista com força institucional, já que Orleans, até agora, patina nas pesquisas e amarga a quarta colocação nas intenções de voto.
Camarão, no entanto, rejeitou a proposta. E o não do vice-governador expôs as fragilidades do plano palaciano. Sem outra saída, Brandão recuou e anunciou que permanecerá no cargo até o fim do mandato, oficializando Orleans como seu pré-candidato à sucessão — uma aposta arriscada diante do cenário de enfraquecimento político e rompimentos iminentes.
Se a esperteza não for substituída por articulação real e respeito às alianças firmadas, Carlos Brandão corre o risco de terminar seu governo isolado, sem apoio federal e com uma base esfarelada. E, nesse ritmo, pode ver seu projeto de poder naufragar antes mesmo de sair do porto.



