Alcântara-MA: Após pane no motor, Capitania dos Portos vistoria lancha Bahia Star
Lancha que faz a travessia entre São Luís e Alcântara teve problemas mecânicos e passageiros foram resgatados por canoas artesanais.

A Capitania dos Portos do Maranhão realizou nesta quarta-feira (16) uma inspeção na lancha Bahia Star, após relatos de pane no motor durante a travessia entre São Luís e Alcântara, pela Baía de São Marcos. O episódio aconteceu na sexta-feira (11), pela manhã, e gerou preocupação entre passageiros, principalmente turistas, que faziam o trajeto rumo à cidade histórica.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a embarcação parada no meio da baía, sem conseguir atracar no Porto do Jacaré, em Alcântara. Segundo relatos de passageiros, alguns foram transportados até o cais em pequenas embarcações artesanais, como canoas e bianas.

A Bahia Star ainda tentou manobrar até a Ilha do Livramento, próxima a Alcântara, mas voltou a apresentar falhas mecânicas e não completou a travessia. Passageiros afirmam que os problemas na embarcação são recorrentes.
Em nota à imprensa, o 1º Tenente da Marinha do Brasil, De Lavor, chefe do Departamento de Segurança do Tráfego Aquaviário, informou que a inspeção será “minuciosa” e abrangerá a documentação da lancha, os livros de registro de viagens, a praça de máquinas, os motores principal e auxiliares, além dos sistemas elétrico e hidráulico. “Se forem constatadas irregularidades graves, a embarcação poderá ser impedida de operar até a correção dos problemas”, afirmou.
Além da Bahia Star, outras duas embarcações fazem a travessia entre São Luís e Alcântara: os iates Barraqueiro e Cidade de Alcântara. O trajeto também pode ser feito em catamarãs. Apesar da curta duração da viagem — cerca de 1 hora e 20 minutos — o percurso inclui o Canal do Boqueirão, conhecido pela forte maresia e condições adversas de navegação.
Proprietários de embarcações que operam na rota denunciam que a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) e a Agência de Mobilidade Urbana (MOB) acumulam uma dívida de aproximadamente R$ 2 milhões em subsídios prometidos desde 2022. Segundo os empresários, o benefício foi oferecido durante o período eleitoral pelo governador Carlos Brandão, com o objetivo de conter reajustes nas tarifas. Até o momento, segundo eles, o repasse não foi regularizado.
A reportagem entrou em contato com a MOB e a EMAP para comentar as denúncias, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Apesar de seu valor histórico, turístico e cultural — com casarões coloniais, ruínas e arquitetura do século XVIII —, Alcântara ainda sofre com deficiências na infraestrutura de acesso. As embarcações continuam sendo o principal meio de chegada à cidade, que abriga comunidades quilombolas e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), base da Aeronáutica.
Acidentes anteriores
Problemas com embarcações na travessia não são novidade. Em dezembro de 1998, um incêndio na lancha “Bate Vento”, que transportava 107 pessoas, resultou em três mortes. Em 2015, o catamarã Carcará naufragou nas proximidades do Espigão da Ponta d’Areia, em São Luís, após ter sido alvo de denúncias sobre más condições operacionais.
A Capitania dos Portos alerta que todas as embarcações que operam na região são sujeitas a inspeções periódicas e reforça que denúncias sobre irregularidades podem ser feitas diretamente à Marinha.
Por Ed Wilson Araújo



