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Amigo da Onça: Trump diz que ajudará Brasil com equipamentos só após EUA melhorar

Trump ajudará Brasil com equipamentos só quando crise do coronavírus nos EUA melhorar, diz Pompeo

Brasil poderá contar com o apoio dos Estados Unidos para conseguir itens importantes no combate ao coronavírus, mas terá de esperar que a situação melhore no território americano antes. A informação é do secretário de Estado,  Mike Pompeo.

O chefe da diplomacia americana afirmou hoje que o “povo brasileiro pode contar com os Estados Unidos” para conseguir equipamentos de proteção individual, respiradores e testes, cuja produção industrial está crescendo internamente nos EUA. Isso acontecerá, segundo Pompeo, quando os Estados Unidos tiverem “começado a melhorar”.

— Quando chegarmos lá,  acho que o Brasil deve saber que nós faremos tudo o que pudermos para garantir que tenham o que precisam.

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A expressão que o secretário usou para se referir a quando o país começará a ajudar o Brasil com equipamento foi turn the corner, utilizada em inglês em relação a momentos em que começa a recuperação a partir de uma situação difícil.

Durante conversa telefônica com jornalistas nesta terça-feira, da qual O GLOBO participou, o secretário Pompeo afirmou que “todos nós estamos tentando garantir que tenhamos tudo o que precisamos nestes tempos desafiadores”.

Há duas semanas, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou que compras brasileiras haviam sido canceladas depois que os Estados Unidos negociaram o envio de mais de 20 aviões à China para buscar suas próprias aquisições de equipamentos de proteção.

Houve também uma denúncia do governo da Bahia de que  600 respiradores comprados da China por governadores do Nordeste ficaram retidos em Miami e foram desviados para estados americanos. Pompeo negou que Washington esteja impedindo que recursos do combate ao coronavírus cheguem ao Brasil.

—  Não ouvi falar de nenhum esforço por qualquer pessoa no governo dos Estados Unidos para impedir que qualquer coisa seja levada ao Brasil —  disse o secretário.

Na conversa com jornalistas, Pompeo afirmou que falou com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, há poucos dias sobre a colaboração entre os dois países e sobre ajuda humanitária ao Brasil.

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Segundo ele, há mais temas sendo discutidos para a cooperação bilateral no combate ao coronavírus, já que  os EUA querem  “coisas boas para o povo brasileiro também”.

— Nós estamos tentando ajudar a todos. Os Estados Unidos estão tentando garantir que terão equipamento para seu próprio povo, é isso que todos os líderes estão fazendo, é isso que o presidente Bolsonaro está fazendo, é isso que os países da América Latina estão fazendo. Eles (os países) querem garantir que tenham tudo que seus países precisam.

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Pompeo pôs o foco na resposta sobre as compras brasileiras canceladas na China sobre o governo daquele  país. O secretário afirmou que a crise do coronavírus permitiu identificar um risco que é “depender do Partido Comunista Chinês para tantos dos nossos recursos, tantas das coisas de que precisamos em tempos de crise”.

—  Eu acho que todos os países, que os Estados Unidos, o Brasil, os países europeus… todos precisarão garantir que, caso este dia chegue de novo, que nós tenhamos indústrias manufatureiras, que não tenhamos que depender de um país ou do Partido Comunista Chinês. Esta é uma lição importante que será aprendida a partir desta crise.

Ele acrescentou que os EUA farão “o possível para apoiar o Brasil enquanto o país atravessa os póximos dias e semanas” diante da pandemia.

A China é a principal fornecedora internacional de escudos faciais, roupas, equipamento de proteção para boca e nariz, luvas e óculos do mundo, posição que já ocupava antes da pandemia. Ela é a principal exportadora desses produtos juntos e também individualmente: 43% das importações mundiais deles vêm da China. Os números são de 2018 e foram compilados pelo Peterson Institute for International Economics. Com o aumento da demanda global por esses produtos, o país aumentou sua produção.

A China também produz respiradores artificiais, mas está com dificuldades para manter o ritmo de produção por causa da proibição pelo governo dos Estados Unidos e de países da União Europeia de exportar equipamentos médicos usados no combate à pandemia do coronavírus. Com a dificuldade de importar peças, a produção destinada ao mercado internacional ficou comprometida, segundo o porta-voz da embaixada chinesa em Brasília, Qu Yuhui.

Por Paola De Orte (Especial para O Globo)

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