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Após matéria do G7 sobre suposto superfaturamento de R$ 23 milhões na compra de ambulâncias, Marcus Brandão grava vídeo desesperado

Irmão do governador Carlos Brandão falou por 6 minutos e 44 segundos, não explicou nada e ainda insinuou que o governador estaria sendo ameaçado e perseguido.

Um vídeo publicado nas redes sociais na noite deste sábado (9) mostrou o nervosismo e o tom de desespero de Marcus Brandão, irmão do governador do Maranhão, Carlos Brandão. Ao longo de 6 minutos e 44 segundos, o empresário abordou diversos assuntos de forma desconexa, confundindo até seus aliados, sem deixar claro qual era o real objetivo da gravação.

Em sua fala, Marcus mencionou o rompimento entre o grupo Brandão e o grupo ligado a ao ex-governador Flávio Dino, responsabilizou o vice-governador Felipe Camarão por não conter críticas de dinistas ao governo, citou um “fuxico” atribuído ao deputado Pedro Lucas sobre uma conversa de Márcio Jerry, afirmou que “ninguém segura” o deputado Othelino Neto, acusou a advogada mineira Clara Alcântara Botelho Machado e, ao final, trouxe à tona o caso de prints de conversas entre Camarão e o blogueiro Landim. Encerrando, insinuou que o governador estaria sendo “ameaçado e perseguido”. Marcus Brandão citou a morte de João Bosco, mas ocultou que seu sobrinho, Daniel Brandão, que hoje preside o Tribunal de Contas do Estado, estaria na cena do crime.

Em determinado momento, Marcus questiona como seria possível afastar o governador “sem nada concreto”. Mas, fontes ligadas ao Palácio dos Leões afirmam que a família Brandão já havia sentido o impacto da decisão de Flávio Dino de atender a um pedido da presidente da Assembleia, Iracema Vale, solicitando à Polícia Federal investigação contra o governador. A tensão teria aumentado após o Portal G7 revelar denúncia encaminhada ao Ministério Público sobre um contrato supostamente superfaturado para a compra de 200 ambulâncias pela Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo apuração, após a publicação da matéria, uma reunião emergencial teria ocorrido no Palácio dos Leões na noite de sexta-feira (8) entre Carlos Brandão e Marcus Brandão com os secretários Sebastião Madeira, Rubens Pereira (Rubão) e Sérgio Macedo, para formar um “comitê de crise”. A pauta principal seria definir estratégias diante da possibilidade de novas denúncias e de uma eventual operação da Polícia Federal — ação que, segundo interlocutores, “é esperada” por aliados palacianos.

A denúncia sobre o suposto superfaturamento envolvendo a empresa CKS Veículos Especiais LTDA foi recebida pela Ouvidoria do Ministério Público, mas acabou arquivada pela 37ª Promotoria de Justiça Especializada de São Luís, sob o argumento de que as informações apresentadas eram “genéricas e desprovidas de elementos concretos”. O Tribunal de Contas do Estado, que também poderia agir, manteve silêncio sobre o caso. Só que o G7 foi atrás e trouxe com exclusividade os documentos do contrato suspeito.

Mas, segundo a denúncia protocolada no MP, os veículos teriam sido comprados por R$ 439 mil cada, totalizando um investimento de R$ 87,8 milhões. Contudo, levantamento realizado pela equipe do portal G7, com base na plataforma Governo Compras (que reúne dados de preços de produtos adquiridos por entes públicos em todo o Brasil), aponta que o valor médio de mercado para esse mesmo modelo de ambulância gira em torno de R$ 322 mil.

O fato é que Marcus Brandão deixou transparecer, em seu vídeo, nervosismo, pressão e a tentativa de se antecipar ao que pode vir. Caso uma investigação federal seja deflagrada, não apenas o governador, mas também figuras como Iracema Vale e seu marido, o ex-prefeito Herlon Costa, podem ser incluídos no processo. O clima de apreensão já afeta até aliados históricos e familiares da família Brandão.

Procurados pelo Portal G7, o Governo do Maranhão e a empresa CKS Veículos Especiais LTDA nunca responderam aos questionamentos feitos pela reportagem.

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