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Brandão articula aproximação com bolsonaristas como plano B para 2026, dizem fontes do Palácio dos Leões

Governador do Maranhão estaria condicionado à permanência na base de Lula à garantia de apoio ao projeto político de seu sobrinho, Orleans Brandão.

Embora atualmente esteja formalmente aliado ao presidente Lula (PT), o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), vem mantendo articulações paralelas com setores bolsonaristas no estado, segundo fontes ligadas ao Palácio dos Leões. A movimentação seria uma estratégia alternativa para viabilizar seu projeto político familiar, caso não consiga o apoio do Planalto para a sucessão estadual em 2026.

Aliados próximos afirmam que Brandão tem condicionado sua fidelidade ao governo federal ao aval para lançar seu sobrinho, Orleans Brandão, como candidato ao governo estadual. Internamente, o grupo familiar que comanda o Palácio dos Leões vem sendo chamado por interlocutores da política local de “Orleões”, numa referência à tentativa de continuidade dinástica no poder estadual.

Se o apoio de Lula não se concretizar, Brandão teria como plano B uma aliança com a ala bolsonarista do Maranhão. As conversas nos bastidores já estariam avançadas e envolveriam nomes como a deputada estadual Mical Damasceno (PL), o deputado Yglésio Moyses (PRTB) e o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos), conhecido por sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No cenário nacional, Pedro Lucas e André Fufuca também estariam na mira de Brandão para alinhar essa articulação com o ex-presidente Bolsonaro.

Apesar de defender pautas do campo progressista em sua relação com o governo federal, Brandão governa com forte presença de quadros políticos ligados à direita. Isso reforça a percepção de que sua adesão ao lulismo tem mais relação com interesses políticos do que com alinhamento ideológico. A aproximação com Flávio Dino em 2014 foi fundamental para garantir o apoio do PT e da base progressista, mas interlocutores do partido avaliam que o governador tem se distanciado da agenda defendida por Lula.

Fontes de Brasília relatam ainda que Brandão tenta há meses uma agenda com o presidente da República para discutir o futuro político do grupo, mas estaria sendo preterido por assessores do núcleo duro do Planalto. Até em compromissos internacionais, quando esteve na mesma comitiva de Lula, o governador não teria conseguido uma conversa reservada com o presidente. Segundo essas mesmas fontes, Lula estaria ciente da postura ambígua do governador maranhense.

A possível ruptura entre Brandão e Lula preocupa setores da base governista, especialmente porque o Maranhão é um dos estados em que o presidente possui maior aprovação popular. Para aliados do PT no estado, o uso da estrutura administrativa para tentar eleger um sucessor familiar, à revelia da base nacional, pode aprofundar o distanciamento político e enfraquecer a unidade progressista no estado.

Enquanto isso, Carlos Brandão segue governando em meio a dúvidas sobre sua real posição no cenário político nacional. A aposta no uso da máquina pública estadual e no apoio de setores conservadores pode até garantir sobrevida ao seu grupo, mas também pode custar caro em termos de credibilidade e governabilidade, caso o rompimento com Lula se concretize.

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