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Caos nos terminais de Cujupe e Ponta da Espera: passageiros aguardam até 24 horas por falta de ferryboat

A precariedade nas estradas estaduais da Baixada Maranhense obriga passageiros a enfrentarem humilhantes filas de espera nos terminais marítimos.

A situação de quem precisa se deslocar entre São Luís e a Baixada ou Litoral Ocidental Maranhense, utilizando o transporte via ferryboat, tem se agravado nos últimos meses. Em meio ao abandono das rodovias estaduais, muitos motoristas optam por atravessar a Baía de São Marcos, seja partindo do terminal de Cujupe rumo à capital, seja saindo do terminal da Ponta da Espera em direção ao interior.

Apesar da propaganda enganosa feita pelo governador Carlos Brandão, que anunciou a disponibilidade de seis embarcações para a travessia, a realidade é bem diferente. Desde a última quarta-feira (21), apenas quatro ferryboats estão operando – e ainda assim em horários alternados. A situação só não está pior porque embarcações menores da Internacional Marítima, empresa do empresário Luiz Carlos Cantanhede, tentam, dentro do possível, suprir parte da demanda.

Informações apontam que dois ferryboats estão em manutenção, o que reduziu drasticamente a frequência das viagens. Isso tem provocado longas filas nos terminais, com motoristas aguardando até 24 horas para embarcar, dependendo do tipo de veículo. Para carros de passeio, o tempo médio de espera varia entre 12 e 18 horas. Já para caminhões e veículos maiores, a espera ultrapassa as 24 horas, principalmente no terminal de Cujupe.

Com a retirada do ferryboat São Gabriel para manutenção – embarcação responsável pelos horários das 5h, 12h e 18h – a situação se agravou. A ausência dessa embarcação representa a perda de capacidade para transportar cerca de 600 veículos por dia, aprofundando ainda mais o caos nos terminais.

O silêncio das autoridades políticas é gritante. Deputados estaduais e federais têm se omitido diante de um problema que afeta diariamente milhares de pessoas e compromete seriamente o desenvolvimento econômico da região. A travessia por ferryboat é uma das principais vias de escoamento da produção da Baixada e do Litoral Ocidental. Entretanto, com estradas em péssimo estado e filas intermináveis nos terminais, empresários já contabilizam prejuízos ou evitam investir na região. Se optam pelas estradas, enfrentam buracos e abandono; se escolhem o ferryboat, além do prejuízo, enfrentam a humilhação da espera desumana.

Cabe aos parlamentares maranhenses, especialmente aqueles que sobem à tribuna da Assembleia Legislativa apenas para defender o governador Carlos Brandão fazendo elogios, reverem suas posturas. Uma visita aos terminais de Cujupe e Ponta da Espera seria um bom começo para entender o sofrimento da população, em vez de utilizar seus mandatos como plataforma de bajulação por conveniência política. É importante lembrar que é o povo quem paga os salários dessa legião de omissos e aduladores.

Se o governador Carlos Brandão não tivesse descartado, de forma irresponsável, dois ferryboats da empresa Servi Porto – em um episódio herdado da gestão Flávio Dino –, o serviço poderia estar em melhores condições. À época, Dino confiscou as embarcações do empresário Menésio e transformou o sistema em um verdadeiro cabide de empregos para aliados políticos. Em vez de corrigir o erro do antecessor, Brandão aprofundou o problema ao inutilizar duas embarcações que poderiam hoje estar operando.

O silêncio também reina entre o Ministério Público, a Marinha do Brasil, a Capitania dos Portos e o inoperante Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon), que não consegue olhar o sofrimento e humilhações de consumidores do ferryboat.

Os Leões continuam mandando e desmandando sem qualquer fiscalização efetiva, enquanto a população da Baixada paga a conta – com tempo, dinheiro, humilhação, além da falta de dignidade a quem compra uma passagem cara para viajar em ferryboats sucateados.

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