MARANHÃO

Carlos Brandão diz que vai entregar ferryboat novo, mas é o Cidade de Araioses da Servi-Porto reformado

Após destruir os ferryboats da Servi-Porto, agora o Governo do Maranhão vai entregar uma embarcação reformada para fins eleitoreiros

O Governo do Estado prepara uma verdadeira farsa para tentar iludir o povo maranhense, passando a impressão enganosa de que está investindo na melhoria do transporte aquaviário que opera entre São Luís e a Baixada Maranhense. A artimanha consiste na apresentação do ferryboat Cidade de Araioses, de propriedade da Servi-Porto, empresa que está sob intervenção estadual há mais de dois anos, como se fosse uma embarcação nova. O ato descarado já tem até data marcada: dia 5 de agosto, sexta-feira desta semana.

Na verdade, trata-se de um património da concessionária confiscado de forma arbitrária, reformado com recursos públicos, e que será entregue, com toda pompa midiática, e ostentado como solução para o colapso do serviço, uma trama arquitetada para fins meramente eleitoreiros.

Para contrapor a mentira governista, eis a realidade dos fatos: o ferryboat Cidade de Araioses estava parado, sem qualquer condição de navegar, por ter sido sucateado durante a intervenção na Servi-Porto, decretada pelo ex-governador Flávio Dino, um ato de perseguição praticado com o único intuito de excluir os acionistas da empresa do serviço, que vinha sendo prestado regularmente há mais de três décadas.

Ao impor a mão pesada do Estado sobre a companhia, Dino pretendia inviabilizá-la financeiramente, assumir o controle da travessia entre os terminais da Ponta da Espera e do Cujupe, para depois repassar a autorização para a exploração do transporte a outra empresa, operação que transcorreu em meio a claras suspeitas de irregularidades em que até hoje não foi concluída razão dos vícios constatados.

Desgaste

Desgastado pela situação dramática que se tornou a travessia da Baía de São Marcos e sem enxergar qualquer saída a curto prazo, capaz de evitar estragos em plena campanha política, o Palácio dos Leões recorreu a uma medida extrema e ilegal: recuperar o ferryboat Cidade de Araioses, que já estava até sem o motor, retirado para uso em outra embarcação, em mais um ato de improviso que marca a intervenção na Servi-Porto. Para aumentar o desespero palaciano, a balsa José Humberto, alugada no Pará e adaptada para transportar passageiros e cargas entre a Ponta da Espera e o Cujupe, não atendeu as expectativas. Em vez disso, tornou o cenário ainda mais problemático, o que exigiu ainda mais pressa do governo para remediar a questão.

Com número insuficiente de ferryboats, a Agência Estadual de Mobilidade e Serviços Públicos (MOB), responsável direta por administrar a travessia durante a intervenção, se viu obrigada a reduzir o número de viagens. A restrição da rota gera revolta permanente e protestos quase diários de passageiros e transportadores, que muitas vezes chegam a interditar os acessos às embarcações para exigir do governo a normalização do serviço.

Em meio ao caos e ao perigo que marcam o transporte aquaviário que interliga São Luís e a Baixada Maranhense durante a intervenção do Estado, uma verdade tem que ser dita: o ferryboat a ser colocado em operação trará importante melhoria para a travessia. No entanto, a apropriação indevida de um bem particular e a versão mentirosa apresentada à população pelo governo configuram mais um estelionato eleitoral cometido pelo grupo político liderado por Flávio Dino.

Por Daniel Matos

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