POLÍTICA

Carlos Brandão monta palanque para Lula, mas presidente sequer foi convidado para o evento de Orleans

Governador tenta demonstrar proximidade com o petismo exibindo imagem de Lula em ato político, mas ausência do presidente expõe fragilidade da estratégia.

O governador Carlos Brandão tentou demonstrar aproximação com o PT nacional durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Orleans Brandão ao governo do Maranhão. No entanto, o que se viu foi um esforço simbólico — com faixas, imagens e um palanque decorado com a foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que acabou frustrado pela ausência do próprio líder petista.

A estratégia do chamado grupo “brandonista” era clara: demonstrar força política e sinalizar alinhamento com o governo federal. Contudo, sem a presença de Lula, o movimento acabou produzindo o efeito contrário — levantando questionamentos sobre a real proximidade entre o Palácio dos Leões e o Planalto.

Na noite deste sábado (14), Brandão reuniu partidos aliados, deputados, prefeitos e diversas lideranças políticas em um grande ato público que buscava consolidar o projeto eleitoral em torno do nome de Orleans Brandão. Apesar da mobilização e da presença de milhares de pessoas — muitas delas trazidas em caravanas do interior — o principal personagem da narrativa construída no evento simplesmente não apareceu. Nos bastidores, comenta-se inclusive que o presidente sequer teria sido convidado oficialmente.

Diante da multidão, o governador — que nunca teve histórico ligado ao campo progressista — acabou recorrendo a uma espécie de “Lula simbólico”: fotos, banners e referências ao presidente espalhadas pelo palco. Para críticos do governo, tratou-se de uma tentativa de emprestar ao evento um capital político que, na prática, não estava presente.

A tentativa de aproximar os irmãos Brandão da imagem de Lula também repercutiu mal em setores do poder em Brasília. Historicamente distante do PT, Brandão só se aproximou do partido em 2022, quando recebeu o apoio decisivo do então governador Flávio Dino para disputar o Palácio dos Leões. Sem aquela aliança, avaliam interlocutores políticos, dificilmente teria sido candidato ao governo — e muito menos eleito.

Mas bastou assumir o comando do estado para que o roteiro político mudasse. Brandão rompeu com parte do grupo que o levou ao poder, distanciou-se do vice-governador Felipe Camarão e passou a trabalhar abertamente o nome do próprio sobrinho, Orleans Brandão, como sucessor.

A ascensão meteórica do jovem político também virou motivo de ironia nos bastidores. Seu primeiro cargo público foi justamente como secretário no governo do tio. Agora, sem ter passado por uma trajetória política consistente, já surge como candidato ao comando do Maranhão — numa tentativa clara de transformar o Palácio dos Leões em uma espécie de herança familiar.

Foto: marrapá.com

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