ARTIGO

Carta Aberta a Carlos Brandão

Por Simplício Araújo - Empresário e Político

Fui seu colega na Câmara dos Deputados e também na equipe de governo do então governador Flávio Dino. Sempre tive atenção da sua parte, mesmo quando estive em posições contrárias à sua eleição. Guardo respeito pela sua pessoa, ainda que discorde da maioria das decisões do seu governo. Escrevo aqui não como adversário, mas como maranhense preocupado com os rumos do nosso estado.

Aprendi na política a tentar olhar as situações com empatia, colocando-me no lugar dos outros, mesmo que isso já tenha me custado decepções e incompreensões. Foi com esse olhar que, no passado, alertei Flávio Dino sobre os riscos de lhe entregar o governo, não por questões pessoais, mas porque me parecia evidente que vocês eram muito diferentes em estilo e condução.

No período em que participei do governo, posso testemunhar que não vi familiares de Flávio Dino atuando em nome do governo, seja na Assembleia, em secretarias ou em negociações. Também não presenciei a criação de benefícios legais voltados a parentes. Se tivesse visto, não teria permanecido na equipe.

Não vou aqui me alongar sobre denúncias e comentários que circulam em todo o estado, ou que tramitam em esferas jurídicas e policiais. Quero, sim, chamar sua atenção para pontos que ainda podem ser revistos, a fim de evitar maiores desgastes para você e para o Maranhão.

Um deles é a relação com a base política que o elegeu. Houve rupturas significativas, e todos sabemos que isso fragiliza qualquer gestão. Além disso, é inevitável lembrar que sua eleição não teria ocorrido sem o esforço de Flávio Dino, que moveu recursos políticos, capital de confiança e liderança nacional para garantir sua vitória. Hoje, vê-lo sem espaço no governo e ouvir declarações de que ele “deve esquecer que foi governador” causa estranheza em muitos que acompanharam essa trajetória.

Pense nisso: Flávio Dino, certo ou errado, segue vivendo do seu salário, sem sinais de enriquecimento súbito, e assiste de fora a um governo que ajudou a construir, sem voz, sem espaço e com aliados sendo afastados. Isso, por si só, já cria um ambiente de ressentimento político que alimenta crises.

Também me chama atenção a forma como tem sido tratada sua relação com lideranças históricas, como Otelino. Reduzir a atuação dele a influência de terceiros é desconhecer sua trajetória e a coragem herdada do pai. O rompimento que ocorreu com ele foi fruto de compromissos não cumpridos e não apenas de alinhamentos políticos momentâneos.

Quero lhe dizer algo com franqueza: muitas das pessoas que hoje o cercam não estão preocupadas com você, com sua família ou com o Maranhão. Estão preocupadas com seus próprios mandatos, reeleições, contratos ou com a manutenção do poder. É gente que trata governo como algo vitalício, que não sabe o que é viver fora da máquina. Esse tipo de companhia não ajuda, apenas empurra para o abismo.

Por isso, lhe digo com sinceridade: ainda é tempo de repensar. Há caminhos que podem ser seguidos com dignidade, inclusive a saída honrosa para o Senado. Não ouça apenas quem o bajula ou quem lucra com a sua permanência. Nem sempre quem ri ao seu lado hoje estará com você amanhã.

Escrevo esta carta porque não desejo o mal a ninguém. Já alertei Flávio Dino no passado e não fui ouvido. Registro agora para que fique claro: minha palavra não é de ataque, mas de alerta. O Maranhão não precisa de mais uma batalha jurídica e política. Precisa de gestos de grandeza.

Por Simplício Araújo

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