POLÍTICA

“Chá de fraldas” de Orleans Brandão reúne aliados do Palácio dos Leões no Multicenter Sebrae

Caravanas de alguns municípios do interior foram flagradas abastecento ônibus por prefeituras.

O que deveria ser um ato político para demonstrar força eleitoral acabou sendo apelidado, nas redes sociais e nos bastidores da política maranhense, de verdadeiro “chá de fraldas”. O evento que marcou o lançamento da pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Maranhão, neste sábado (14), no Multicenter Sebrae, em São Luís, reuniu lideranças políticas de diversas regiões do estado.

Os organizadores chegaram a anunciar em blogs bancados pela Assembleia Legislativa a presença de 40 mil pessoas, número que gerou questionamentos, já que o espaço do Multicenter Sebrae comporta aproximadamente 6.500 pessoas. Ainda assim, o evento contou com grande mobilização de prefeitos, vereadores e aliados do governo estadual.

Nos bastidores, o que mais chamou atenção foi a forma como caravanas de municípios distantes chegaram à capital. Há relatos de que prefeituras teriam custeado transporte, camisetas, bandeiras e alimentação, além de ônibus fretados para levar apoiadores ao evento.

Em alguns casos, circulam depoimentos de participantes que afirmam ter recebido R$ 100 para comparecer ao ato político — prática que, se comprovada, levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos em mobilizações partidárias.

Lula ausente, apenas em papelão

Apesar da tentativa de associar o evento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe do Executivo federal não participou do encontro. No local, apenas um boneco de papelão com a imagem de Lula foi exibido de forma simbólica.

Outro detalhe que chamou atenção foi que o nome do presidente praticamente não foi citado nos discursos principais, nem pelo governador Carlos Brandão, nem pelo próprio Orleans Brandão.

Prefeitos no palco e problemas em casa

Entre os discursos, o prefeito de São Mateus do Maranhão, Miltinho Aragão, protagonizou um momento que gerou críticas. Mesmo com denúncias de abandono no hospital regional do município, o gestor preferiu subir ao palco para elogiar o governo estadual.

Para críticos, o episódio simboliza uma postura recorrente na política local: prefeitos que priorizam a proximidade com o poder estadual em vez de cobrar melhorias para seus próprios municípios.

Situação semelhante envolve o prefeito de Bacabal e presidente da Famem, Roberto Costa. Durante seu discurso, ele afirmou que o governo estadual teria retirado mais de um milhão de pessoas da extrema pobreza no Maranhão.

A declaração contrasta com a realidade exibida recentemente em reportagens televisivas, que mostraram cenários de pobreza em comunidades de Bacabal, inclusive durante as buscas por crianças desaparecidas no município.

Iracema e a política dos bastidores

Outra presença no evento foi a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale. Em seu discurso, ela afirmou que Orleans Brandão é “um jovem trabalhador, pai de família, dedicado ao povo do Maranhão”.

Críticos, porém, apontam que a própria parlamentar conhece bem a estratégia de governar por meio de aliados ou familiares, prática já observada em municípios onde seu grupo político exerce forte influência e seus filhos são colocados na política em alto escalão.

Fufuca e as alianças flexíveis

O ministro do Esporte, André Fufuca, também marcou presença. Cotado como pré-candidato ao Senado, ele voltou a defender o governo Brandão.

Nos bastidores políticos, entretanto, o histórico de mudanças de alianças de Fufuca é frequentemente lembrado por adversários, que o acusam de transitar com facilidade entre diferentes campos políticos — de Dilma Rousseff a Jair Bolsonaro, passando novamente pelo campo aliado de Lula.

Weverton e a mudança de discurso

Também presente no evento, o senador Weverton Rocha chamou atenção pela mudança de posição política.

Em 2022, ele foi adversário direto de Brandão na disputa pelo governo do estado e criticava duramente as chamadas oligarquias políticas do Maranhão. Agora, aparece no mesmo palanque defendendo a união do grupo governista.

Durante seu discurso, Weverton ainda fez críticas indiretas ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide, defendendo que a política deve ser construída de forma coletiva — algo que adversários lembram não ter ocorrido quando ele rompeu com Flávio Dino por não ter sido escolhido candidato ao governo em 2022.

Recado de Brandão e a resposta de Orleans

Já o governador Carlos Brandão afirmou que não pretende entregar o comando do estado “a quem não sabe governar”, declaração interpretada como um recado ao vice-governador Felipe Camarão.

Por outro lado, críticos do grupo governista afirmam que a escolha de Orleans Brandão reforça justamente um projeto de continuidade familiar no poder, já que o pré-candidato é sobrinho do governador e tem como principal articulador político o pai, Marcus Brandão.

Em seu discurso, Orleans tentou rebater críticas sobre sua juventude e afirmou estar preparado para o desafio político.

Entre a festa e a realidade das urnas

Nas redes sociais, o evento passou a ser ironicamente comparado a um “chá de fraldas político”, numa referência à juventude do pré-candidato e à mobilização intensa de aliados.

Analistas políticos também lembraram o episódio de 2022, quando o então candidato Weverton Rocha lotou o estádio Nhozinho Santos em um grande ato de campanha — mas acabou sendo derrotado nas urnas.

A comparação que circula nos bastidores é direta: lotar evento é uma coisa; transformar presença em voto é outra bem diferente.

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