Debate da TV Mirante: Eduardo Braide jogou mal, na retranca, e cabou sendo encurralado pelos adversários
Dos outros 7 candidatos no debate, destaque para Yglésio e Wellington. Palmas para Franklin Douglas e Saulo Arcangeli, que fizeram bem seu feijão com arroz de sempre

O debate teve tudo para ser bom, mas foi frio, onde todos pareciam pisar em ovos, o que acabou deixando o programa chato e sonolento, principalmente por parte do prefeito Eduardo Braide, que se esquivou em responder perguntas sobre os supostos escândalos de corrupção dentro de sua gestão.
Braide sentiu que o gramado da TV Mirante é bem diferente do gramado digital usado por ele no Instagram diariamente. Sua chuteira de 8 travas, acostumada a bater forte desde 2016, não funcionou nesta noite e acabou levando vários contra-atques, e por sorte, os atacantes estavam ruins de pontaria. Braide jogou mal, na retranca, foi encurralado em seu campo de defesa, mas conseguiu manter o jogo em 0 a 0. Resultado não muito bom, principalmente para quem saiu de casa falando em olé.
Quem tentou confrontá-lo, mostrou amadorismo no posicionamento e estratégia, apenas Yglésio, Franklin e Wellington, mexeram com o emocional de Braide, mas os demais, entre eles, Duarte, acabaram sendo figurantes em um debate que mostra o atual cenário e discute o futuro de São Luís. No geral, Yglésio, Wellington e Franklin recebem nota 7. Saulo recebe nota 6, mas Duarte, Fábio e Braide recebem nota 5,5. Flávia recebe nota 5.
RESUMO DO DEBATE NA TV MIRANTE
Faltou aos candidatos maturidade para aproveitarem mais o tempo, usar estratégias para desestabilizar os adversários em pontencial, neste caso em específico, Braide, com perguntas mais ríspidas, além embasar seus questionamentos envolvendo corrupção e escândalos, para ter argumentos mais robustos nas respostas. Foi um debate truncado, uma espécie de prova para alunos que não estudaram antes.
O que o torcedor viu na TV, e percebeu foi um Braide apagado e nervoso, tentando se defender a cada minuto, e torcendo para não ser abordado sobre o Clio do Milhão, Máfia da Merenda, Juju & Cacaia, Vovó França, Boi de Maracanã e Itapera. Mas não escapou da abordagem: mesmo assim, desconversou e fugiu pelo bêco.
Já Duarte Júnior passou o debate inteiro engessado mecanicamente, falando de procon, aplicando seu decoreba, mas não mostrou soluções para os problemas da cidade, e não contra-atacou Braide tete a tete, citando os escândalos envolvendo a atual gestão. Perdeu sua última chance na vida de brigar pela Prefeitura de São Luís.
Fábio Câmara, que foi um bom vereador, atuante, combatente, fiscalizador, parece que desaprendeu atirar contra seus adversários. Mais cadenciado e tentando mostrar mansidão, ele mostrou pouco conhecimento sobre a cidade, até pra citar o nome de uma liderança da zona rural, buscou as anotações, o que não passa confiança ao eleitor, principalmente aos indecisos.
Wellington mostrou que conhece a cidade, tem muito conteúdo, mas se atrapalha na hora de perguntar e principalmente no momento de responder e rebater. Para quem busca um segundo turno, proposta fica para segundo plano, o alvo seria o suposto líder nas pesquisas, principalmente quem deixou de ser pedra e passou a ser vidro, no caso Braide, já que sua gestão está cheia de denúncia sobre corrupção. Wellington precisa mostrar sua indgnação com os problemas e listar o motivo pelo qual são luís se encontra assim: destruída por corrupção e corruptos.
Flávia Alves, muito educada, mas perdida politicamente, principalmente sobre os problemas da cidade, talvez por não conhecer o dia a dia dos moradores da periferia e zona rural. Ela deveria ter perguntado apenas aos candidatos intermediários e feito abordagens mais técnicas, específicas e corriqueiras, como o problema na saúde e educação pública, transporte coletivo e infraestrutura da cidade, onde o prefeito demora um ano para reformar uma UBS e constroi um elevado em 6 meses. Faltou espertise política.
Saulo Arcângeli sabe fazer seu feijão com arroz, mas peca quando bate muito na tecla ao criticar privatizações e mostrar apoiar que tudo seja público. Saulo é um homem inteligente, estudioso, capaz, mas para crescer politicamente, precisa olhar para a coletividade geral e não apenas para as classes individuais. Conhece a cidade e os problemas, mas acaba misturando política local com nacional, o que não reverbera em votos.
Já o jornalista Franklin Douglas, que defendeu a todo instante o Passe Livre Estudantil, tem o poder da oratória, conhece a cidade, o povo e os problemas, mas por ser candidato do PSOL, acaba sendo escanteado pelos demais candidatos e principalmente pelo eleitor. Em se tratando de capacidade intelectual, Franklin está bem servido, mas como faz uma campanha pobre, sem dinheiro, acaba sendo apenas mais um na política. É um defensor das causas sociais, e toda oportunidade que teve, aproveitou para mostrar aos eleitores as malezas criadas em São Luís e mantidas por Braide, além de descer a lencha em Duarte.
Yglésio entrou em campo para fazer o jogo de sua vida. Brigou na justiça para tá no debate, mas se absteve apenas em citar números, uma espécie de Ciro Gomes no debate. Por várias vezes teve a oportunidade, mas não soube tocar na ferida de Braide, citando os inúmeros escândalos e corrupação em sua gestão. Yglésio chutou, cabeceou, bateu falta, se jogou, tentou cavar um pênalti, mas não sei se isso reverberá em votos, principalmente após o processo de enxertia, onde o petista passou a ser bolsonarista de carteirinha.
De um modo geral, Franklin, Wellington e Yglésio foram os melhores no debate, com destaque para Yglésio, que foi o único a bater de frente com Braide, desafiar o gestor, mas sem ofensas. Isso causou um desconforto ao Prefeito de São Luís, que ficou nervoso, gaguejou, confundiu deputado por vereador e no final usou o bordão de Duarte Júnior.
Apesar do fraco debate, o eleitor conseguiu entender que está pagando a iluminação de led para Braide fazer propaganda eleitoral, que a mentira é a principal arma, tanto por parte de Braide, quanto de Duarte. Aos estudantes, principalmente aqueles que contam moedas para pagar o vale transporte, o debate mostrou quem é a favor do Passe Livre Estudantil e quem é contra. É bom avaliar, porque o futuro se constroi é no presente!


