Empresário bolsonarista grava vídeo com ataques a magistrados maranhenses
Pré-candidato a deputado federal pelo Novo, Peron Figueiredo virou alvo de nota de repúdio da Associação dos Magistrados do Maranhão após declarações contra integrantes da Justiça Eleitoral.

O empresário Peron Figueiredo, pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo, passou a ser alvo de críticas e reação de entidades do Judiciário após divulgar vídeos nas redes sociais com ataques direcionados a magistrados maranhenses e integrantes da Justiça Eleitoral.
Conhecido no Maranhão por atuar no setor de distribuição de água, Peron tem utilizado as redes sociais para publicar conteúdos de forte teor político e ideológico. Em uma das gravações recentes, o empresário também defendeu que beneficiários do Bolsa Família deveriam prestar serviços em empresas como forma de “compensação” pelo recebimento do benefício social, declaração que gerou repercussão negativa nas plataformas digitais.
A situação ganhou contornos ainda mais graves após o pré-candidato desafiar publicamente decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à realização de sorteios nas redes sociais, prática que pode ser enquadrada pela legislação eleitoral como abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio.
Durante o vídeo, Peron fez ataques generalizados contra membros do Judiciário maranhense e levantou acusações sem apresentar provas. “Um juiz desse aí do TSE, do TRE que tem moral de julgar um político? […] É tudo corrupto. Um juiz do TRE não tem condições de ter uma SW4, não tem condições de morar na Península de São Luís. Pode cassar a candidatura, pode fazer o que quiser”, afirmou o empresário.
Após a repercussão das declarações, a Associação dos Magistrados do Maranhão divulgou nota de repúdio classificando as falas como “depreciativas e irresponsáveis”. A entidade afirmou que o empresário promoveu acusações genéricas e sem provas contra integrantes da Justiça Eleitoral do Maranhão.

“A liberdade de expressão não se confunde com o direito de propagar ofensas ou acusações irresponsáveis”, destacou a nota assinada pelo presidente da entidade, o magistrado Marco Adriano Ramos Fonsêca.
A associação também informou que poderá adotar medidas judiciais cabíveis diante das declarações feitas pelo pré-candidato. A legislação eleitoral brasileira proíbe a distribuição de brindes, vantagens ou prêmios que possam influenciar eleitores durante o período eleitoral.



