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Governador Brandão evita encontro com Rueda e isola Weverton em nova aproximação com ala bolsonarista

A ausência foi interpretada como uma tentativa de Brandão de não se expor publicamente ao lado de lideranças bolsonaristas e evitar desgaste com Lula

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), voltou a demonstrar sinais de distanciamento do grupo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta sexta-feira (18), o chefe do Executivo estadual evitou comparecer a um evento com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, realizado em São Luís. A ausência foi interpretada como uma tentativa de Brandão de não se expor publicamente ao lado de lideranças bolsonaristas e evitar desgaste com o Planalto.

Nos bastidores, a visita de Rueda ao governo estadual estaria relacionada à articulação de um novo bloco político liderado por Brandão para as eleições de 2026. A estratégia envolve a ampliação de alianças com figuras da direita e extrema direita, como os deputados Pedro Lucas Fernandes (União), André Fufuca (PP), Aluísio Mendes (Republicanos), Yglésio Moiseis (PRTB), Mical Damasceno (PSD) e a prefeita Maura Jorge (PL).

A movimentação indica um enfraquecimento do senador Weverton Rocha (PDT), que até então era considerado peça central no grupo de Brandão. Segundo aliados, o governador tem priorizado a pré-campanha de seu sobrinho, Orleans Brandão, à sucessão estadual, utilizando a estrutura do governo para atrair prefeitos e lideranças locais sob o discurso de “governo municipalista”.

Paralelamente, há rumores de que a federação União Progressista receberá as duas vagas ao Senado em uma futura chapa encabeçada por Orleans, o que excluiria Weverton do projeto majoritário. A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), também participou do encontro com Rueda e chegou a ser cortejada para se filiar à nova federação em formação: a União Progressista.

Apesar do gesto público de Iracema em apoio a Weverton, fontes próximas ao Palácio dos Leões não descartam a possibilidade de a parlamentar seguir a orientação do governador em futuras alianças. Interlocutores apontam que a influência de Brandão permanece forte sobre a Assembleia Legislativa e demais órgãos do Executivo.

A aproximação de Brandão com grupos bolsonaristas tem provocado desconforto em setores do PT e entre aliados históricos de Lula no Maranhão. Desde que assumiu o governo em definitivo, em 2022, o governador passou a adotar uma retórica mais alinhada à esquerda, mas seu histórico político e o perfil de seus principais aliados indicam afinidades com setores bolsonaristas.

Lideranças do PT nacional observam com atenção os movimentos de Brandão e avaliam que o apoio de Brandão ao projeto de reeleição de Lula pode ser comprometido, caso o governador siga priorizando alianças com nomes da base bolsonarista. O cenário gera incerteza sobre a composição da base governista no Maranhão e pode afetar o desempenho da candidatura de Lula no estado em 2026.

Enquanto isso, obras inacabadas do governo estadual, promessas de campanhas não cumpridas e o uso político da máquina pública seguem sendo alvos de críticas por parte da oposição e de observadores políticos locais.

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