Governador Brandão repete a tática de 2022 e inicia campanha eleitoral antecipada à vista do Ministério Público Eleitoral
Em 2022, o governador foi acusado de distribuir cestas básicas, peixes e frangos; agora, repete a estratégia inovada ao lançar a pré-campanha do sobrinho Orleans Brandão.

Diz o ditado popular: “é o uso constante do cachimbo que entorta a boca.” No Maranhão, o governador Carlos Brandão (PSB) parece levar o provérbio ao pé da letra. Assim como em 2022, quando foi acusado de usar a máquina pública para fins eleitorais, Brandão dá sinais de repetir a velha fórmula — agora, em favor de seu sobrinho Orleans Brandão, seu mais novo projeto político.
No último sábado (11), um grande adesivaço tomou conta do coração de São Luís, em um ato que muitos interpretam como campanha eleitoral antecipada. A movimentação, segundo relatos, teria contado com estrutura de grande porte e ampla distribuição de material gráfico, o que levanta suspeitas de uso de recursos públicos.
O detalhe mais simbólico — e provocador — é o local escolhido: a Madre Deus, bairro histórico da capital, justamente ao lado do prédio do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). O episódio, portanto, soa como um desafio direto às instituições e à autoridade do Ministério Público Eleitoral (MPE), responsável por fiscalizar e coibir práticas desse tipo antes do período oficial de campanha.
Em 2022, Brandão foi amplamente criticado por ações semelhantes: distribuição de cestas básicas, peixes e frangos em todo o estado, em pleno ano eleitoral. Agora, ao repetir o enredo, o governador reforça a percepção de que, no Maranhão, o poder dos “Leões” continua a se impor sobre a lei e o bom senso.
Aliados políticos e observadores apontam que Brandão vem utilizando influência em órgãos de controle e fiscalização para avançar em seus interesses eleitorais sem grandes obstáculos. O episódio do adesivaço seria mais um sinal de que o Palácio dos Leões pretende fazer da estrutura de governo uma trincheira política para garantir a vitória de Orleans Brandão, custe o que custar.
Enquanto isso, o Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral parecem assistir à cena de camarote, sem reação à ousadia do governador — que promove atos de cunho eleitoral literalmente à sombra da sede do TRE-MA.
A estratégia de Brandão, marcada por desafio institucional e uso político da máquina pública, reacende o debate sobre os limites éticos da administração estadual e o papel das autoridades eleitorais em garantir uma disputa justa.
O episódio deixa no ar uma pergunta que ecoa entre adversários e eleitores: até onde vai a impunidade política no Maranhão?



