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Governador do Maranhão tira da Emap e entrega à Segov controle do serviço de ferryboat

Após saída de Gilberto Lins da Emap, Brandão transfere gestão do transporte aquaviário para a SEGOV, comandada por Márcio Machado.

O transporte por ferryboat entre São Luís e a Baixada Maranhense, considerado vital para milhares de usuários, continua sendo um dos maiores símbolos de descaso do Governo do Maranhão. Marcado por filas intermináveis, embarcações sucateadas e atrasos de viagens, o serviço se tornou sinônimo de humilhação para quem depende diariamente dessa travessia.

Depois da exoneração de Gilberto Lins da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o governador Carlos Brandão (PSB) enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que muda a gestão do setor. A proposta retira da EMAP a responsabilidade pelo transporte aquaviário intermunicipal e transfere o controle para a Secretaria de Estado de Governo (SEGOV), atualmente chefiada por Márcio Machado.

Com a mudança, a EMAP ficará restrita à administração portuária, enquanto a SEGOV passará a concentrar funções como planejamento, regulação, fiscalização e aplicação de penalidades às empresas concessionárias e permissionárias. Machado que é homem de confiança de Brandão, terá ainda a prerrogativa de revisar tarifas, definir regras para concessões e exigir que as operadoras repassem dados contábeis e operacionais diretamente à secretaria.

Na prática, Brandão entrega a um aliado político o controle total sobre o sistema, em um setor que já acumula denúncias de má gestão e interferência de grupos empresariais. Não é segredo que, desde que o governo confiscou os ferryboats, ainda na gestão de Flávio Dino, duas embarcações da Servi Porto foram sucateadas, gerando prejuízo de mais de R$ 100 milhões aos donos da empresa, enquanto a população ficou dependente de uma frota reduzida e instável.

Apesar disso, na mensagem encaminhada ao Legislativo, o governador argumenta que a mudança busca “modernizar” o transporte aquaviário e garantir maior eficiência. O discurso, no entanto, contrasta com a realidade. Em 2022, por exemplo, o governo trouxe o ferryboat Zé Humberto, uma embarcação com mais de 35 anos de uso, adaptada de forma precária, o que colocou em risco a segurança dos passageiros.

Outro ponto sensível é a relação com as empresas que operam o sistema. Fontes do G7 bem posicionadas dentro dos terminais de Cujupe e Ponta da Espera, denunciam que a Henvil, responsável pelo ferryboat São Gabriel, pressiona o governo para alterar horários das concorrentes e abrir espaço para nova embarcação da empresa. Há ainda a promessa, segundo fontes, de incluir uma balsa na travessia Anajatuba–São João Batista, mas, até agora, sem garantias concretas.

Enquanto isso, problemas básicos permanecem sem solução: apenas uma rampa de atracação funciona de fato, obrigando embarcações a esperar até 40 minutos para desembarcar passageiros e veículos, o que vem provocando atrasos nas viagens. Terminais seguem com filas quilométricas, superlotação e estrutura deficiente.

No fundo, a mudança de gestão pode ser menos sobre modernização e mais sobre atender interesses políticos e empresariais. Empresas pressionam por aumento das tarifas e, para os usuários, paira o temor de que a promessa de eficiência sirva apenas de justificativa para reajustes nas passagens.

O projeto já tramita na Assembleia Legislativa e, se aprovado, dará à SEGOV poder absoluto sobre o transporte aquaviário intermunicipal. Resta saber se Márcio machado conseguirá resolver problemas históricos do sistema ou se o maranhense continuará sendo penalizado por um serviço que, há anos, navega entre o sucateamento e o improviso.

O colapso no serviço de ferryboat no Maranhão não surgiu de forma repentina. As digitais de Gilberto Lins estão em todo o processo de sucateamento. Quando presidiu a MOB, a situação já começou a se deteriorar; ao assumir a EMAP, o quadro se agravou ainda mais, consolidando sua responsabilidade direta pela piora no transporte aquaviário.

O governador Carlos Brandão também carrega parcela expressiva de culpa. Ambos se tornaram os principais responsáveis por um serviço que, embora já precário desde a gestão de Flávio Dino, atingiu níveis alarmantes de ineficiência e descaso.

Hoje, o sistema sobrevive em grande parte graças à Internacional Marítima, do empresário Luís Carlos Cantanhede, que vem cobrindo falhas das concorrentes Servi Porto e Henvil. Ainda assim, usuários seguem enfrentando atrasos, superlotação e riscos constantes, apesar das tentativas de socorro.

A realidade é que, sob a gestão de Lins e Brandão, o ferryboat deixou de ser apenas um problema crônico e se transformou em uma verdadeira humilhação diária para milhares de maranhenses.

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