CULTURA

Interventor de Turilândia-MA pretende gastar quase R$ 5 milhões com festas no município

Enquanto saúde, educação e infraestrutura enfrentam problemas, gestão sob intervenção estadual abre licitação milionária para eventos culturais.

A realização de eventos culturais é considerada importante para o desenvolvimento social e econômico de qualquer município. No entanto, quando os gastos são elevados e custeados integralmente com recursos públicos, os investimentos acabam gerando críticas, principalmente em cidades que atravessam crises administrativas e financeiras, como Turilândia, no Maranhão.

O município está sob intervenção estadual após o afastamento e prisão do prefeito Paulo Curió, investigado por suposto desvio de aproximadamente R$ 56 milhões. Diante desse cenário, uma nova licitação aberta pela gestão interina passou a chamar atenção da população.

O interventor Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo, nomeado pelo governador Carlos Brandão para reorganizar a administração municipal, pretende contratar quase R$ 5 milhões em eventos por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Mesmo que o valor seja distribuído ao longo de um ano para fomentar atividades culturais, moradores avaliam que a quantia é incompatível com a realidade financeira e estrutural do município, que enfrenta dificuldades em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

Pelos cálculos, caso o montante seja utilizado durante os 12 meses do ano, o município poderá gastar, em média, cerca de R$ 416 mil mensais com eventos e festividades.

Outro ponto que aumentou os questionamentos foi a informação de que um relatório técnico apresentado pela então secretária municipal de Cultura, Madaí Santos, teria estimado custos próximos de R$ 1,2 milhão. A diferença entre o valor inicialmente estimado e o montante final da licitação, próximo de R$ 5 milhões, provocou forte reação entre moradores e lideranças locais.

A situação gera ainda mais repercussão porque Turilândia continua sob intervenção estadual justamente para reorganização administrativa e equilíbrio das finanças públicas. Para parte da população, a prioridade da gestão deveria estar concentrada na recuperação dos serviços essenciais e na reconstrução da credibilidade da administração municipal.

Entre os principais questionamentos levantados por moradores estão:

  • Como uma cidade em intervenção estadual prioriza um gasto milionário com festas?
  • De que forma o valor estimado inicialmente teria saltado de R$ 1,2 milhão para quase R$ 5 milhões?
  • Quais mecanismos de transparência e fiscalização estão sendo adotados no processo licitatório?

A população cobra esclarecimentos da gestão interina e maior acompanhamento dos órgãos de controle, especialmente do Ministério Público do Maranhão, diante do elevado volume de recursos públicos envolvidos no processo.

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