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Irmãos Brandão politizam instituições e tentam ampliar influência sobre os poderes no Maranhão

Atuação do Palácio dos Leões sobre Câmaras Municipais, Assembleia Legislativa e órgãos de controle tem gerado críticas, impasses institucionais e desgaste político.

A condução política do governador do Maranhão, Carlos Brandão, tem sido alvo de críticas crescentes nos bastidores e em análises políticas que apontam uma tentativa de ampliar a influência do Executivo sobre instituições que deveriam atuar de forma autônoma, como a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e as Câmaras Municipais, incluindo a de São Luís.

Segundo avaliações políticas, o projeto de poder atribuído a Brandão e ao seu irmão, Marcus Brandão, teria como pano de fundo a ocupação de espaços estratégicos nas estruturas institucionais do Estado. A estratégia incluiria articulações políticas, indicações controversas e a distribuição de benefícios administrativos, como a doação de caminhonetes 4×4 a câmaras municipais, movimento interpretado por críticos como tentativa de aproximação e alinhamento político dos 217 legislativos municipais.

Apesar das investidas, interlocutores afirmam que o governador tem encontrado dificuldades para consolidar consenso até mesmo dentro do próprio grupo governista, acumulando derrotas, disputas internas e votações apertadas em processos considerados estratégicos. Quem tem levado a culpa é o articulador Marcus Brandão, que acumula fracassos na “função”.

Levantamento publicado pelo site Os Analistas, que avaliou os últimos quatro anos da gestão Brandão, aponta uma deterioração da relação entre os poderes, atribuída à falta de transparência, à politização de órgãos técnicos e ao desrespeito a limites institucionais. Entre os episódios citados estão a demissão em massa de integrantes do Gaeco no âmbito do Ministério Público, a eleição disputada para a presidência do TJMA e o impasse na escolha da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que terminou empatada e sem consenso dentro da base governista.

O cenário de instabilidade se reflete também na existência de cargos vagos em instituições-chave, como o TCE-MA, que segue com duas cadeiras desocupadas em razão de questionamentos sobre indicações, e o próprio Tribunal de Justiça, onde a vaga destinada à OAB-MA permanece sem preenchimento pelos mesmos motivos.

Analistas apontam que parte desse contexto teria origem na tentativa de retomada de práticas como nepotismo e indicações políticas sem critérios técnicos, desde que Brandão assumiu o governo em 2022. Casos envolvendo familiares e aliados próximos, alguns deles afastados de funções por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, contribuíram para o desgaste institucional e político da gestão.

Essas posturas provocaram o afastamento de aliados históricos e o surgimento de dissidências internas, inclusive no PSB, partido pelo qual Brandão chegou ao governo e do qual se desfiliou após a falta de consenso em torno de seu nome. O desconforto também alcançou o PT e setores políticos em Brasília, além de gerar ruídos dentro da própria família do governador.

Nos bastidores, cresce a percepção de que a sustentação política do governo tem dependido cada vez mais do poder administrativo do Executivo, enquanto o horizonte de saída de Brandão do Palácio dos Leões amplia as incertezas. O tema tem se tornado recorrente em conversas reservadas na capital e no interior do estado, onde há avaliações de que o Maranhão atravessa um dos períodos de maior tensão institucional e dificuldade de articulação entre os poderes.

Em meio a esse cenário, parte da classe política e da sociedade observa, ainda que com cautela, a expectativa de encerramento de um ciclo marcado por conflitos institucionais, disputas de poder e fragilização do diálogo entre os entes que compõem o Estado.

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