O “milagre” da multiplicação de bens do senador Weverton Rocha em 15 anos na política
Desde 2013, quando assumiu o mandato de deputado federal, o patrimônio declarado por Weverton Rocha multiplicou-se de forma acelerada e levantou questionamentos sobre a origem da fortuna.

A política, que deveria ter como eixo o interesse coletivo, há anos tem sido utilizada por diversos agentes públicos como trampolim para benefícios pessoais e familiares. Um dos exemplos mais citados é o do senador Weverton Rocha (PDT-MA), cuja evolução patrimonial ganhou proporções consideradas “milagrosas” em pouco mais de uma década.

Weverton ingressou na política institucional em 2010, ainda sem mandato, quando concorreu a deputado federal pela primeira vez. Naquele ano, declarou ao TRE-MA R$ 352.500,00 em bens. À época, sua vida modesta era conhecida: ex-líder estudantil, usuário de transporte coletivo até meados de 2006 e sem empresa de grande porte vinculada ao seu nome.
Declaração de bens em 2010 — R$ 352,5 mil
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Casa residencial – R$ 105.500,00
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Lote no Jardim Paulista – R$ 20.000,00
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Casa no Jardim Paulista – R$ 110.000,00
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Caminhonete SW4 financiada – R$ 102.000,00
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Gleba de terra em Coroatá – R$ 15.000,00
Em 2014: Patrimônio praticamente igual — R$ 325.760,07
Quatro anos depois, nas eleições de 2014, quando enfim se elegeu deputado federal, Rocha declarou praticamente o mesmo patrimônio. No entanto, já havia pequenas alterações na lista de bens, gerando questionamentos sobre omissões ou reorganizações patrimoniais não explicadas.
Em 2018: Patrimônio explode para R$ 2,4 milhões
Em 2018, ao disputar o Senado, o patrimônio de Weverton saltou de forma extraordinária, chegando a R$ 2.468.312,29 — um aumento de quase 700% em apenas 6 anos de um mandato de deputado federal.
Entre os bens declarados estavam:
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Apartamento de R$ 1,2 milhão
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Casa de R$ 370 mil
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Terrenos diversos
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Sala comercial de R$ 181 mil
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Embarcação de R$ 138 mil
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Quotas empresariais de R$ 150 mil
A multiplicação patrimonial chamou atenção por destoar completamente da realidade de poucos anos antes, quando o senador tinha estrutura financeira limitada.
Em 2022: Patrimônio dobra novamente e chega a R$ 4,2 milhões
Nas eleições de 2022, quando disputou o Governo do Maranhão, Weverton voltou a surpreender: declarou R$ 4.247.977,00.
Entre os bens mais caros estavam:
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Casa no Povoado Mangaba, Barreirinhas-MA — R$ 1.050.000,00
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Apartamento em São Luís — R$ 1.500.000,00
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R$ 500 mil em espécie
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Terreno em Coroatá-MA — R$ 140 mil
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Quotas empresariais diversas
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Duas residências adicionais em São Luís
Mais uma vez, o patrimônio cresceu em velocidade incomum mesmo para empresários de grande porte.
2024–2025: Compra de fazenda de R$ 15 milhões e apartamento de R$ 1,2 milhão em São Paulo
A mais recente movimentação financeira do senador chamou atenção nacional:
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Fazenda em Matões do Norte avaliada em R$ 15 milhões
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Pista de pouso ao lado do imóvel
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Apartamento de R$ 1,2 milhão no Jardim Paulista (SP), comprado em 2025
O Portal Metrópoles teve acesso à escritura que confirma o pagamento inicial de R$ 7 milhões pela propriedade rural — cifra quase três vezes superior ao patrimônio total declarado por Weverton em 2022.
A compra foi registrada em nome da DJ Agropecuária, empresa criada pelo pai e ligada ao senador. O administrador da empresa é Rodrigo Martins Corrêa, contador que também teria atuado para o lobista “Careca do INSS”, investigado por corrupção.
Empresas que só prosperam após mandatos
Weverton afirma que possui rendimentos provenientes de atividades empresariais e que tudo está declarado à Receita Federal. No entanto, o que chama atenção é:
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suas empresas não tinham expressão até 2015;
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a expansão patrimonial coincide exclusivamente com o período em que passou a ocupar mandatos federais;
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aquisições de alto valor ultrapassam, em muito, a capacidade compatível apenas com o salário de senador, atualmente R$ 46.366,19 brutos (R$ 29.170,24 líquidos).
Milagre financeiro ou contradições?
A súbita prosperidade empresarial, o fluxo de aquisições milionárias e a ausência de histórico empresarial robusto anterior ao mandato levantam dúvidas que se acumulam:
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Como um político que até pouco tempo tinha renda limitada comprou mais de R$ 20 milhões em bens de uma década e meia para cá?
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Por que a evolução patrimonial cresce sempre após eleições e não antes?
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Como empresas criadas há anos só passaram a movimentar cifras milionárias agora?
Enquanto não são dadas explicações convincentes, o que se vê é um patrimônio que cresce na mesma proporção em que ampliam as investigações envolvendo aliados próximos do senador — um “milagre da multiplicação” que desafia a lógica e a matemática.



