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Para atrapalhar vacinação em São Paulo, Bolsonaro atrasa entrega da vacina da Índia

Presidente afirmou que entrega de doses foi adiada por 'pressões políticas' internas do pais asiático

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o avião que irá à Índia buscar 2 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 vai demorar “dois ou três dias” para sair do Brasil. De acordo com Bolsonaro, pressões políticas na Índia fizeram com o que o laboratório Serum adiasse a entrega das doses, compradas pelo Fiocruz, até que a vacinação comece no país asiático, o que está previsto para ocorrer no sábado.

A vacina que será comprada foi desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, que também será produzida no Brasil pela Fiocruz. O governo conta com as doses para iniciar a vacinação na próxima semana, junto com a CoronaVac, criado pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.

Parentes de pacientes hospitalizados ou recebendo assistência médica em casa, a maioria com COVID-19, se reúnem para comprar oxigênio e encher botijões em uma empresa privada em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS

— Foi tudo acertado para disponibilizar dois milhões de doses. Só que hoje, nesse exato momento, está começando a vacinação na Índia. É um país com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Então resolveu-se, não foi decisão nossa, atrasar um ou dois dias até que o povo comece a ser vacinado lá. Porque lá também tem as pressões políticas de um lado e de outro. Isso daí, no meu entender, daqui a dois, três dias no máximo nosso avião vai partir e vai trazer esses dois milhões de vacinas para cá — disse Bolsonaro, em entrevista para a Band.

A previsão inicial do governo era que o avião partisse do Brasil na quinta-feira e retornasse no sábado. Depois, a decolagem foi adiada para sexta-feira e não foi informada nova previsão de retorno.

Manifestantes exibem faixa com a frase "Mais de 200 mil mortes, a culpa é sua Bolsonaro" em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (8) Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

Na entrevista, no entanto, Bolsonaro afirmou que as 2 milhões de doses são “muito pouco” e ressaltou que o governo terá que complementar a compra com produção no Brasil:

— Que fique claro, nós somos 210 milhões de habitantes. Dois milhões equivale a 1% aproximadamente. É muito pouco. E não tem disponibilizado no mercado. Vamos procurar fazer, como está sendo muito bem tratado pelo Pazuello, junto ao Butantan, nós fazermos nossa vacina aqui.

O comunicado de que a Índia vai atrasar a entrega de vacianas foi feito na noite de quinta-feira pelo chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, segundo informação do governo brasileiro.

Na conversa,  Jaishankar informou que  não poderia enviar imediatamente as 2 milhões de doses da vacina ao Brasil, justificando que há uma dificuldade logística porque a chegada do avião em Mumbai para buscar os imunizantes  coincidiria com o início da vacinação no país. A aeronave decolaria de Recife (PE) às 23h desta sexta, mas a viagem foi cancelada.

Segundo relatos ao GLOBO, o chanceler indiano reforçou a boa vontade com o Brasil e disse que a venda não fi cancelada, mas apenas adiada.

Diante do atraso da chegada dos imunizantes, a cerimônia no Palácio do Planalto que marcaria o início da campanha de vacinação, programada para a próxima terça-feira é dada como incerta.

Agora, integrantes do governo passaram a dizer que  a definição sobre o evento só ocorrerá após domingo, quando a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) decidirá sobre o uso emergencial das duas vacinas: a Oxford/Astrazenca e a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Sob o risco de mais uma vez retardar o início da imunização, o  Ministério da Saúde solicitou nesta sexta que  Instituto Butantan faça a  entrega “imediata” de 6 milhões de doses importadas da vacina contra Covid-19. O ofício foi assinado  pelo diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, e endereçado a Dimas Covas, diretor do Butantan.

Por Daniel Gullino, Gustavo Maia , Jussara Soares e Paula Ferreira (O Globo)

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