Áudio vazado: diretora do hospital da Vila Luizão pressiona servidores a levar cinco pessoas cada para evento de Orleans Brandão
Em gravação, Shirlene Martins afirma que ônibus precisam sair cheios para não “entristecer” vereador Marquinhos, aliado político na capital.
O lançamento da pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Maranhão, marcado para este sábado (14) no Multicenter Sebrae, em São Luís já começou a gerar polêmica antes mesmo de acontecer. Nos bastidores, aliados do grupo político do Palácio dos Leões estariam mobilizando estruturas administrativas e pressionando apoiadores para garantir público e demonstrar força política no evento.
Segundo fontes ligadas ao governo estadual, prefeitos de diferentes regiões do Maranhão teriam sido orientados a levar caravanas do interior para inflar a plateia e reforçar a imagem de apoio ao projeto político da família Carlos Brandão.
Na capital, um áudio vazado de um grupo de WhatsApp do Hospital da Vila Luizão expõe o tipo de mobilização que estaria sendo feita. Na gravação, atribuída à diretora administrativa da unidade, Shirlene Martins — indicada do vereador Marquinhos Silva — servidores são orientados a levar cinco pessoas cada para participar do evento político.
No áudio, a diretora deixa claro que a meta é garantir ônibus lotados, para evitar constrangimento ao parlamentar.
“Ei, pessoal, tem outro ponto mais importante para todos nós. Acho que todo mundo recebeu a mensagem que o Fagner mandou, né? Todo mundo leu até o final que cada um de nós tem que levar cinco pessoas amanhã. Amanhã é importantíssimo, porque todo mundo aqui já conhece o vereador e, se os ônibus não tiverem cheios, ele vai ficar chateado, entristecido com a gente. Eu não quero ver aquele homem entristecido. Então bora todo mundo convidar um amigo”, diz trecho da gravação.
Em outra parte do áudio, a diretora sugere que os servidores utilizem a relação construída com pacientes para convencê-los a participar do evento político — como se o atendimento prestado em uma unidade pública pudesse virar moeda de troca eleitoral.
“É, minha gente, é a hora da gente lembrar daquelas pessoas que pedem consulta, exame, ajuda. A gente não passa o ano todinho dando assistência para os nossos amigos? Então é a hora. Não é passar na cara, mas ter aquela conversa: ‘meu amigo, eu preciso de você agora’. A gente tem que começar a ter essa conversa com nossos amigos, principalmente com quem a gente ajuda”, afirma.
Para completar, a orientação final deixa evidente que, na missão de encher os ônibus rumo ao evento, praticamente qualquer companhia serve.
Segundo o próprio áudio, vale convidar amigo, conhecido — e até namorado, ficante ou amante. O importante, ao que parece, é garantir gente suficiente para ocupar cadeiras e produzir as imagens de multidão que tanto ajudam a alimentar narrativas políticas.
Nos bastidores, a pergunta que fica é inevitável: quando servidores da saúde passam a ser mobilizados para lotar eventos políticos, quem fica responsável por cuidar dos pacientes?


