ALEMA-MA

Empresário alvo da Operação Tântalo II recebia quase R$ 20 mil da Assembleia Legislativa do Maranhão

Aliado de Orleans Brandão, Hyan Alfredo foi exonerado pela presidente da Alema após escândalo de corrupção que apura desvio de R$ 56 milhões em Turilândia-MA.

À medida que avançam as investigações da Operação Tântalo II, deflagrada no município de Turilândia, novos fatos vêm à tona e ampliam a dimensão do escândalo envolvendo agentes públicos e empresários suspeitos de integrar um esquema milionário de corrupção. Entre os nomes presos está o empresário Hyan Alfredo Araújo Mendonça Silva, que, além de investigado pelo Ministério Público, também mantinha vínculo com a Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), onde recebia um salário de quase R$ 20 mil mensais.

Para surpresa de poucos, Hyan Alfredo ocupava o cargo comissionado de Técnico Parlamentar Especial, com carga horária de 40 horas semanais. O salário bruto era de R$ 19.258,98, com vencimento líquido de R$ 14.179,84, após descontos.

O detalhe que chama atenção é que o empresário declarou residir em Araguaína, no Tocantins, a cerca de 900 quilômetros de São Luís, o que levanta questionamentos sobre o efetivo cumprimento da carga horária exigida pelo cargo — fato que pode reforçar suspeitas de possível funcionário fantasma dentro da estrutura da Alema.

Hyan Alfredo foi nomeado em julho de 2024 e exonerado no dia 23 de dezembro de 2025, um dia após o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, deflagrar a Operação Tântalo II. A ação cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão, incluindo o do empresário, que até então figurava como servidor comissionado do Legislativo estadual. A exoneração foi assinada pela presidente da Alema, Iracema Vale.

Segundo o Ministério Público, Hyan Alfredo desempenhava papel relevante no esquema criminoso investigado em Turilândia. De acordo com o Gaeco, ele seria responsável por indicar empresas para emissão de notas fiscais frias, com percentuais previamente ajustados entre 12% e 15%. Conversas interceptadas pela investigação apontam que ele atuava em conjunto com Wandson Barros na operacionalização dos repasses ilícitos, convertendo valores supostamente desviados em ativos aparentemente lícitos, por meio de pessoas físicas e jurídicas interpostas.

Fontes ouvidas pelo Portal G7 afirmam que a nomeação de Hyan Alfredo na Assembleia Legislativa teria sido uma indicação política ligada aos irmãos Brandão. Segundo fontes, o empresário mantém uma relação próxima com Orleans Brandão, filho de Marcus Brandão, incluindo possíveis negócios em comum. Há indícios de que ambos seriam sócios ocultos de uma empresa aberta em junho de 2023, no município de Matinha, na Baixada Maranhense; mas essa será pauta para uma próxima reportagem, que vai detalhar os bastidores políticos e econômicos envolvendo Orleans Brandão e o empresário Hyan Alfredo.

O episódio reforça questionamentos sobre o uso político de cargos comissionados, a fragilidade nos critérios de nomeação e o silêncio institucional diante de um dos maiores escândalos de corrupção investigados recentemente no interior do Maranhão.

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