ARTIGO

Facções criminosas dominam a Grande Ilha de São Luís na cara do governador Brandão

População vive sob medo constante enquanto crimes se multiplicam e resposta do Estado é considerada insuficiente.

“Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.” A expressão popular resume o sentimento de quem mora na Grande Ilha de São Luís, formada pelos municípios de São Luís, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar. A violência crescente e a presença ostensiva de facções criminosas transformaram a rotina da população, que vive sob tensão diante da sensação de abandono por parte do poder público.

Sem um aparato considerado efetivo, a segurança pública do Maranhão dá sinais de fragilidade e sucateamento. Enquanto isso, organizações criminosas ampliam seu domínio territorial, especialmente em áreas onde o tráfico de drogas atua de forma aberta. A força policial, frequentemente apontada como sobrecarregada, não consegue atender com a agilidade necessária às ocorrências em diversos bairros, o que contribui para o avanço da criminalidade.

Nos últimos dias, ataques atribuídos a facções deixaram várias vítimas, inclusive pessoas sem antecedentes criminais ou qualquer envolvimento com o tráfico, segundo informações policiais. Foram registradas execuções em diferentes pontos da Grande Ilha, com trabalhadores entre os mortos. Casos que reforçam o clima de medo e insegurança.

A situação não se restringe à região metropolitana. No interior do estado, cidades como Imperatriz, Vargem Grande, Caxias, Penalva, Pinheiro, Codó e Bacabal também enfrentam o avanço das facções, assim como municípios do Litoral Ocidental Maranhense. A percepção é de que o problema se espalha “à luz do dia”, sem que haja uma estratégia clara e amplamente percebida pela sociedade para conter o crescimento dessas organizações.

Em São José de Ribamar, episódios recentes chocaram a população, incluindo o ataque a dois trabalhadores de uma escola — um deles morreu e o outro foi baleado e encaminhado ao hospital do município. Casos como esse ampliam a sensação de vulnerabilidade coletiva.

A violência também se manifesta em assaltos a pedestres, estabelecimentos comerciais, motoristas de aplicativo, mototaxistas, postos de combustíveis e salões de beleza. Seja nas ruas ou dentro de ônibus, o medo passou a fazer parte da rotina de milhares de maranhenses.

Diante desse cenário, cresce a crítica à postura de parte dos veículos de comunicação alinhados ao governo estadual. Segundo opositores, enquanto a população enfrenta uma escalada da criminalidade, parte da mídia local prioriza pautas nacionais e internacionais, deixando em segundo plano os ataques de facções na Grande Ilha. A cobrança por transparência, ação firme e resultados concretos na área da segurança pública aumenta a cada novo episódio de violência.

O desafio imposto ao governo estadual é claro: retomar o controle territorial, fortalecer o efetivo policial e devolver à população o direito básico de ir e vir sem medo. Enquanto isso não acontece, a sensação predominante nas ruas continua sendo a de insegurança e incerteza.

Foto: Reprodução/Santana FM

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