Governador Carlos Brandão ignora sugestão e resolve peitar presidente Lula
Impasse entre Brandão e Felipe Camarão expõe desgaste na base aliada e aumenta tensão com o Palácio do Planalto.

A novela política envolvendo o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão (PT) chegou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no início de 2024. Desde então, aliados do chefe do Planalto têm buscado uma solução conciliatória para o impasse, mas interlocutores apontam resistência por parte de integrantes do núcleo familiar do governador em manter o acordo firmado entre Lula e Brandão nas eleições de 2022.
No segundo semestre do ano passado, durante reunião em Brasília, Lula teria recomendado a construção de um terceiro nome alternativo para a sucessão estadual, fora dos nomes de Orleans Brandão e Felipe Camarão, numa tentativa de reduzir a tensão interna. Segundo relatos de bastidores, Brandão não acolheu a sugestão e decidiu reforçar o projeto de candidatura do sobrinho, Orleans Brandão, cujo desempenho político ainda não se consolidou e gera preocupação entre aliados.
Lideranças do PCdoB e do PSB, partidos que apoiam o vice-governador Felipe Camarão, intensificaram articulações junto à direção nacional do PT e ao núcleo político do presidente Lula. Em redes sociais, o presidente do PCdoB, deputado Márcio Jerry, tornou públicas tratativas com a ministra Gleisi Hoffmann e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizando que a disputa local já ultrapassou as fronteiras do Maranhão.
Fontes em Brasília afirmam que o presidente Lula não esconde o incômodo com a postura do governador maranhense. Segundo interlocutores, Lula teria demonstrado insatisfação ao avaliar que Brandão estaria abrindo mão de disputar uma vaga considerada viável ao Senado Federal, movimento que permitiria a posse de Camarão no governo e sua eventual candidatura à reeleição, apenas para impedir a ascensão do vice ao comando do Estado.
Com o calendário eleitoral avançando, o cenário se torna cada vez mais pressionado. Nos bastidores, avalia-se que Brandão começa a sentir os efeitos da contagem regressiva, diante da manutenção da candidatura de Camarão e do crescimento da força eleitoral do prefeito de São Luís, Eduardo Braide.
Analistas políticos apontam que o governador corre o risco de terminar o ciclo sem mandato, caso as articulações não avancem. Por outro lado, caso opte por permanecer no cargo até o fim do mandato — o chamado “reinaldear” nos bastidores políticos — também enfrentará desafios, inclusive diante de denúncias de supostos atos de corrupção que envolvem sua gestão e que seguem sob acompanhamento de órgãos de controle.
Entre tensões internas, cálculos eleitorais e pressão nacional, o governador Carlos Brandão se vê diante de uma das decisões mais delicadas de sua trajetória política. O que pesa contra Brandão é que ele sempre foi contra Lula, entrou no ônibus lulista de carona em 2022 e pelo visto vai descer sem agradecer o motorista.


