Mical Damasceno: da base de Flávio Dino à radicalização bolsonarista
Deputada que já exaltou o “comunista” Flávio Dino agora surfa no bolsonarismo por conveniência política

A deputada estadual Mical Damasceno é um dos exemplos mais emblemáticos da contradição política maranhense. Em 2018, a parlamentar evangélica apoiou ativamente a reeleição de Flávio Dino ao governo do Estado — inclusive em troca de cargos de capelania para sua base ligada à Igreja Assembleia de Deus. Hoje, Mical brada discursos inflamados contra o mesmo Dino, agora ministro do Supremo Tribunal Federal, após aderir de corpo e alma ao bolsonarismo.
A guinada ideológica parece menos fruto de convicção e mais consequência de conveniência. Uma vez garantida a presença de indicados em cargos no governo, Mical passou a atacar o ex-governador que antes exaltava. A incoerência se estende à sua atuação parlamentar: crítica ferrenha do feminismo, defensora de um modelo de submissão feminina, ela própria é divorciada — o que por si só não é um problema, não fosse a hipocrisia do discurso que sustenta.

Não faltam episódios controversos. Recentemente, a deputada utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para defender um suplente de deputado acusado de violência doméstica, em mais uma demonstração de aliança cega com aliados políticos — ainda que isso signifique passar por cima de princípios éticos e morais.
Mical também é aliada de primeira hora do governador Carlos Brandão e da presidente da Assembleia, Iracema Vale — ambos identificados com o campo político de esquerda e próximos ao governo Lula. A razão dessa convivência política aparentemente contraditória? Cargos. Mais especificamente, espaços de poder e influência no Hospital Macroregional de Viana, base eleitoral da parlamentar.
Sonhando com uma candidatura à Câmara Federal em 2026, Mical teme perder esses espaços caso o vice-governador Felipe Camarão assuma o governo no próximo ano. Camarão, ao contrário dela, tem demonstrado fidelidade política e reconhecimento a quem o apoia — duas qualidades que Mical parece ignorar em sua trajetória.
É chegada a hora de Mical Damasceno repensar sua atuação política. Sua postura atual, marcada por discursos vazios, incoerência ideológica e busca incessante por cargos, serve mais ao próprio ego do que ao povo do Maranhão. E por mais que se sustente no respaldo religioso de parte do eleitorado, uma parlamentar precisa ser útil, propositiva e coerente. Do contrário, continuará sendo apenas mais uma personagem folclórica no cenário político estadual.



