Ministro Juscelino Filho decide entregar cargo após denúncia da PGR
Maranhense é acusado de desvio de emendas e deverá formalizar pedido de demissão ao presidente Lula

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), deve entregar ainda nesta terça-feira (8) o pedido de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra o maranhense por suposto desvio de emendas parlamentares.
Além da denúncia, reportagens recentes apontaram que o ministro assinou outorgas de rádios FM no Maranhão para empresas com baixo capital social. Entre as beneficiadas estão empresas como o Grupo Mirante, da família Sarney; uma empresa H.M.M. Castro & Cia LTDA de propriedade do empresário Hubert Márcio Castro, de Pinheiro; e três concessões destinadas ao empresário Fabiano Vieira da Silva.
Segundo apuração do portal Metrópoles, a saída de Juscelino do cargo começou a ser discutida durante um almoço entre lideranças do União Brasil e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), na residência do presidente nacional do partido, Antonio Rueda, em Brasília.
Participaram do encontro os líderes do União Brasil na Câmara e no Senado, o ministro do Turismo, Celso Sabino, e o próprio Juscelino Filho. De acordo com fontes ouvidas, Gleisi teria sinalizado que o Palácio do Planalto preferia que o ministro pedisse para sair, evitando que o presidente Lula tivesse que formalizar a exoneração.
Após o encontro, lideranças da legenda se reuniram reservadamente, sem a presença de Gleisi, e decidiram orientar Juscelino a deixar o cargo “para se preservar”. A permanência do ministro, segundo avaliação interna, ampliaria o foco das investigações sobre ele e desgastaria o governo.
O nome do sucessor ainda não foi definido, mas um dos cotados é o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (MA), atual líder do União Brasil na Câmara. Fernandes acompanhou Lula em viagens ao Japão e ao Vietnã no mês de março.
Lula já havia sinalizado afastamento
Em junho de 2024, após Juscelino ser indiciado pela Polícia Federal, Lula declarou publicamente que o manteria no cargo apenas até a formalização de uma denúncia pela PGR.
“O que eu disse para o Juscelino: a verdade só você sabe. Se o procurador indiciar, você sabe que tem que mudar de posição. Enquanto não houver denúncia, você continua como ministro”, disse o presidente em entrevista ao portal UOL. “Se for aceita [a denúncia], vai ser afastado.”
O Portal G7 reitera que o espaço está aberto para manifestações do ministro Juscelino Filho (União Brasil) e dos demais envolvidos citados nesta matéria.
Por Metrópoles



