Pesquisa montada? No Maranhão, resultado depende de quem paga
O aquecimento para o período eleitoral já começou e as pesquisas também

Em tempos de pré-campanha, a política maranhense ganha contornos cada vez mais inusitados. A mais recente “pesquisa eleitoral” divulgada no estado não veio de um instituto renomado, mas sim de uma produtora musical sediada no Rio Grande do Norte. Com menos de um ano de existência, a empresa oferece serviços que vão de festas e terraplanagem a urbanização — e, agora, palpites sobre intenções de voto.
O levantamento foi encomendado por um jornalista ligado ao grupo político do pré-candidato Hilton Gonçalo. E já chegou com números no mínimo questionáveis: segundo os dados, Roberto Rocha — ausente do cenário político há meses — aparece em empate técnico com Felipe Camarão, que tem rodado o estado de ponta a ponta em plena pré-campanha. A impressão que fica? A pesquisa foi feita mais em estúdio do que em campo.
Como em todo bom espetáculo, não faltaram efeitos especiais. Flávio Dino e Roseana Sarney, nomes que apareceram na apresentação como pré-candidatos ao governo, curiosamente não figuram em nenhum dos cenários testados. Um número de mágica digno de Las Vegas, mas encenado nos bastidores da política maranhense.
No fim das contas, a sensação é de que, por aqui, pesquisa eleitoral virou produto de prateleira: o resultado depende de quem encomenda — e de quanto está disposto a pagar. Enquanto isso, o eleitor segue tentando enxergar a verdade por trás da cortina de fumaça.



