Prefeito Eduardo Braide usa SMTT para torrar quase R$ 13 milhões com “paisagismo” em ano eleitoral
Secretaria responsável pelo transporte público assiste à ameaça de greve dos rodoviários em São Luís.

A gestão do prefeito Eduardo Braide (PSD) vem sendo alvo de críticas pela forma como tem conduzido o uso de recursos públicos e a estrutura administrativa do município. Em meio a problemas crônicos no transporte coletivo, a Prefeitura de São Luís autorizou um gasto milionário com serviços de paisagismo por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), órgão cuja atribuição principal é organizar e fiscalizar o sistema de mobilidade urbana da capital.
A SMTT chancelou o segundo termo aditivo do contrato nº 001/2025, que prevê o desembolso de R$ 12.963.117,65 em favor da empresa Jardiplan Urbanização e Paisagismo Ltda. O contrato foi assinado pelo secretário municipal Maurício Abreu Itapary na última quinta-feira (23) e prorrogado por mais 12 meses.

A medida chama atenção pelo fato de a Prefeitura já contar com o Instituto Municipal da Paisagem Urbana (IMPUR), específico e responsável pelo urbanismo e pela manutenção de áreas públicas, enquanto a SMTT enfrenta dificuldades históricas para cumprir sua missão institucional, especialmente no que diz respeito à gestão do transporte coletivo.
Nos bastidores políticos, a decisão é vista como mais um exemplo de esvaziamento das funções originais da secretaria, que vem sendo utilizada para finalidades alheias ao transporte público. Críticos da gestão apontam que a prática se repete em diferentes áreas, com uso de associações e contratos questionáveis para viabilizar gastos em setores considerados estratégicos pela administração municipal.
Greve dos rodoviários e prioridades da SMTT
O contrato milionário foi firmado apenas dois dias após o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão sinalizar a possibilidade de uma nova paralisação dos sistemas de transporte coletivo urbano e semiurbano que atendem São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.
Os trabalhadores cobram a apresentação de uma proposta por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) referente à Convenção Coletiva de Trabalho de 2026. Até o momento, a entidade que representa os empresários permanece em silêncio sobre o tema.
Paralelamente, o próprio SET notificou oficialmente a gestão do prefeito Eduardo Braide pelo atraso no pagamento do subsídio do transporte coletivo referente ao mês de dezembro de 2025. A notificação extrajudicial foi encaminhada ao secretário Maurício Itapary e ao secretário municipal de Governo, Emílio Carlos Murad.
Segundo o sindicato patronal, o valor em aberto é de R$ 6.169.659,30, montante que deveria ter sido repassado até o quarto dia útil do mês subsequente, conforme acordo firmado em audiência de conciliação realizada em fevereiro de 2024 e homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA).
Enquanto rodoviários e usuários do transporte coletivo convivem com a ameaça de paralisações e a precariedade do serviço, a opção da gestão municipal por utilizar a SMTT para contratos milionários fora de sua finalidade original reforça críticas sobre prioridades administrativas e uso dos recursos públicos, especialmente em um ano de calendário eleitoral.
Por Gláucio Ericeira



