Rádio Educadora do Maranhão completa 60 anos no ar como uma das maiores referências da comunicação maranhense
Emissora da Arquidiocese de São Luís nasceu em 12 de junho de 1966, migrou do AM para o FM e mantém a missão de informar, evangelizar e dar voz às comunidades do Maranhão

A Rádio Educadora do Maranhão Rural Ltda., emissora pertencente à Arquidiocese de São Luís, completa 60 anos de história nesta sexta-feira (12). Inaugurada oficialmente em 12 de junho de 1966, operando em Amplitude Modulada (AM), na frequência 560 kHz, a emissora construiu uma trajetória marcada pela prestação de serviço, evangelização, educação popular, cultura e pela formação de grandes profissionais da comunicação maranhense.
Ao longo de seis décadas, a Educadora se tornou uma das mais importantes escolas do rádio no Maranhão, revelando talentos, reunindo profissionais de destaque e realizando coberturas históricas nas áreas política, esportiva, cultural, social e religiosa.
Atualmente operando na frequência 88,3 FM, a emissora mantém viva a missão que marcou sua criação: ser uma comunicação próxima do povo, principalmente das comunidades do interior do estado, onde construiu uma relação de confiança e credibilidade.
A origem de uma rádio voltada para o povo
A história da Rádio Educadora começou a ser construída ainda no final dos anos 1950, idealizada por José de Medeiros Delgado e pelo monsenhor Artur Lopes Gonçalves, com o propósito de utilizar o rádio como instrumento de educação, cultura e evangelização.
O objetivo inicial era levar informação e conhecimento às comunidades rurais do Maranhão, especialmente em uma época em que o acesso aos meios de comunicação era limitado e a carta ainda era o meio de comunicação mais popular.
A concessão para funcionamento da emissora foi autorizada pelo Governo Federal em 1962, mas a inauguração oficial aconteceu somente em 1966, na Rua do Sol, no Centro Histórico de São Luís.
Nos primeiros anos, a programação contou com participação de instituições públicas e do Movimento de Educação de Base (MEB), funcionando como uma importante ferramenta de alfabetização e orientação para trabalhadores rurais e comunidades do interior.
Ligada à Fundação Dom José de Medeiros Delgado (FUNDEL), vinculada à Arquidiocese de São Luís, a Rádio Educadora consolidou sua identidade como uma emissora comprometida com as causas sociais, religiosas e comunitárias.
A voz dos sem voz
Criada para atender principalmente o homem do campo, a Educadora rapidamente ampliou sua audiência e passou a ser reconhecida como “a voz dos sem voz”, por abrir espaço para comunidades, trabalhadores e segmentos sociais que muitas vezes não encontravam espaço nos grandes meios de comunicação.
Com o passar dos anos, a emissora estruturou sua própria equipe de produção, fortaleceu o jornalismo e passou a acompanhar diariamente os principais acontecimentos do Maranhão.
Um dos grandes diferenciais da Rádio Educadora sempre foi a proximidade com o ouvinte. A emissora não apenas transmitia informação, mas estabelecia uma relação de companheirismo com as comunidades, tornando-se presença constante na vida de milhares de maranhenses.
Programas que marcaram gerações
Durante sua trajetória, a Educadora criou programas que ficaram registrados na memória dos ouvintes. Entre eles, destaca-se o tradicional “Programa do Galinho”, apresentado pelo radialista Carlos Henrique, que durante mais de cinco décadas embalou as madrugadas dos ouvintes.
Outro destaque foi o programa “Eu, Você & o Amor”, que marcou época nas noites da emissora sob o comando de Herbeth Pereira, além de atrações como “Roda Viva” e “Trânsito Livre”, que ajudaram a consolidar a força jornalística e popular da rádio.
Grandes coberturas e momentos históricos
A Rádio Educadora também protagonizou momentos importantes do jornalismo maranhense. Em 1999, a emissora realizou uma das maiores coberturas de sua história ao transmitir, com exclusividade e em tempo real, as sessões das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Narcotráfico e do Crime Organizado, instaladas para investigar denúncias envolvendo políticos e empresários do Maranhão e do Brasil.
Naquele período, a rádio alcançou uma das maiores audiências do rádio maranhense, demonstrando sua capacidade de realizar jornalismo investigativo e acompanhar temas de grande interesse público.
A emissora também construiu uma forte tradição esportiva, realizando grandes transmissões de futebol e acompanhando competições locais, nacionais e internacionais.
Outro momento marcante foi a cobertura da visita do Papa João Paulo II ao Maranhão, um dos acontecimentos religiosos mais importantes da história recente do estado.
Do AM para o FM: modernização sem perder a essência
Acompanhando a transformação tecnológica do rádio brasileiro, a Educadora realizou a migração do AM para a frequência modulada (FM), passando a operar em 88,3 MHz.
A mudança trouxe melhoria na qualidade do áudio e ampliou o alcance da emissora, que também passou a atuar no ambiente digital, levando sua programação para ouvintes em diferentes partes do mundo por meio da internet.
Hoje, além do rádio tradicional, a Educadora mantém presença multiplataforma, oferecendo jornalismo, prestação de serviços, entretenimento e evangelização para centenas de municípios maranhenses.
A emissora também integra a Rede Católica de Rádio (RCR), uma das maiores articulações de rádios católicas do Brasil.
Uma escola de grandes comunicadores
Ao longo dos 60 anos, a Rádio Educadora foi responsável pela formação de uma verdadeira geração de comunicadores. Passaram pelos seus microfones profissionais como Juarez Medeiros, Anizete Souza, Jota Kerly, José Santos, Silvan Alves, Herbeth Pereira, Robson Júnior, Roberto Fernandes, Juracy Vieira, Garcia Júnior, Albino Soeiro, Adolfo Vieira, Juracy Filho, Edivaldo Oliveira, Mário Carvalho, Helena Leite, Carlos Henrique, Emanoel Ribeiro, Adalberto Melo, Tony Castro, França Melo, Gil Porto, Vladir Barreto, Laércio Júnior, Henrique Pereira, Kleber Gomes, Maria Sagrada, Bial Mendes, Juarez Souza, Mardem ramalho, Marcelo Minard, Clodoado Corrêa, Gláucio Ericeira, Rogério Silva, Ribamar Furtado, Totó, Barbozão, João Filho, Antônio Tavares, Viviane Leite, Deny Cabral, André Martins, Walber Ramos Martins (Canarinho), Zeca Soares, Laércio Costa, Isaías Rocha, Thales Castro, Matheus do Brasil, entre tantos outros nomes que ajudaram a construir a história do rádio maranhense.
Muitos desses profissionais encontraram na Educadora uma verdadeira escola de comunicação, onde aprenderam jornalismo, locução, reportagem e compromisso com o público.
O legado da Educadora
Para o diretor-geral da Rádio Educadora, padre Cláudio Roberto, o maior legado da emissora é a relação construída com a sociedade maranhense.
“Em 60 anos, a Educadora foi mais do que uma rádio. Foi voz dos que não tinham voz. Foi mãe, amiga e defensora dos pobres. Deu vez a quem os grandes meios ignoravam. O mundo mudou, a internet chegou, o AM virou FM e os desafios cresceram. Mas a missão nunca mudou. Somos gratos a Deus, aos nossos ouvintes e à Igreja Católica, mãe e companheira desta rádio”, afirmou.
O comunicador Juracy Filho, considerado uma das principais referências da nova geração do rádio maranhense, destaca a importância da emissora em sua formação profissional.
Segundo ele, sua ligação com a Educadora começou antes mesmo de entrar nos estúdios da rádio. Em 1972, seu pai foi contratado para narrar o clássico Samará, um dos jogos mais históricos do futebol maranhense.
Anos depois, Juracy Filho passou a integrar a equipe da emissora e viveu uma das experiências mais importantes de sua carreira.
“Fui convidado pelos padres Cláudio Roberto e Guto Feitosa para dirigir o Roda Viva, o principal programa de jornalismo não só da emissora, mas de toda a região. Durante cinco anos, apresentei programas, narrei jogos e fui âncora do mais importante programa de rádio do Maranhão. Eu devo à Rádio Educadora, sem dúvida nenhuma, o alicerce da minha vida profissional”, declarou.
Seis décadas de história e compromisso
Ao completar 60 anos, a Rádio Educadora do Maranhão celebra não apenas uma trajetória de comunicação, mas uma história construída junto ao povo maranhense.
Pelos seus estúdios passaram profissionais que deixaram marcas profundas no rádio, muitos deles já falecidos, como Sérgio Soares, Dany Cabral, Tony Castro, José Carlos Teixeira, Haroldo Silva e Roberto Fernandes, que contribuíram para o legado da emissora.
A Educadora continua sendo uma referência de comunicação popular, mantendo a essência que marcou sua criação: informar, servir e estar ao lado das comunidades.
Mais do que uma rádio, a Educadora é parte da memória do Maranhão.



