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Weverton, Erlânio e PDT seguem em silêncio sobre policial morto por prefeito aliado

Prefeito de Igarapé Grande, que assassinou policial com cinco tiros pelas costas, é sobrinho de Erlânio Xavier, aliado de Weverton Rocha e filiado ao PDT

Seis dias após a execução do policial militar Geidson Thiago dos Santos, morto covardemente com cinco tiros pelas costas durante uma vaquejada em Trizidela do Vale, o silêncio ainda é a única resposta vinda de figuras centrais do PDT maranhense. O senador Weverton Rocha, líder do partido no estado, o ex-presidente da Famem Erlânio Xavier — tio do autor do crime — e a própria legenda não se manifestaram publicamente sobre o assassinato que chocou o Maranhão.

O autor dos disparos é o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier, que, após o crime, fugiu do local e só se apresentou no dia seguinte à delegacia de Presidente Dutra. Ele é sobrinho de Erlânio Xavier, aliado político e braço forte de Weverton Rocha, e é filiado ao PDT. O episódio, de extrema gravidade, não mereceu sequer uma nota oficial do partido, nem qualquer pronunciamento nas redes sociais de suas principais lideranças.

A ausência de posicionamento contrasta com a brutalidade do caso. O policial Geidson Thiago foi morto pelas costas, em plena festa pública, e nenhuma solidariedade foi manifestada à família da vítima. O silêncio do PDT, de seus líderes e do próprio senador Weverton tem sido interpretado como cumplicidade ou, no mínimo, conivência com a impunidade.

Apesar de conhecido por declarações públicas em defesa da Polícia Militar e por frases de efeito como “militares são cidadãos que estão por trás dessa farda, famílias que precisam ter direitos, garantias e, acima de tudo, respeito”, Weverton Rocha manteve absoluto silêncio diante do assassinato do soldado Geidson. Até o momento, não houve uma única palavra de solidariedade à família do policial, nenhuma cobrança por justiça, tampouco manifestação de repúdio ao crime cometido por um prefeito aliado e filiado ao seu partido. Um silêncio que fala mais alto do que qualquer discurso.

Fica evidente que a fidelidade partidária e as alianças eleitorais pesam mais do que a vida de um trabalhador da segurança pública — um pai de família que morreu cumprindo seu dever. O senador, que já se apresentou como defensor das categorias mais vulneráveis e dos servidores públicos, escolheu o lado do silêncio justamente quando o autor do crime é diretamente ligado ao seu grupo político. Uma postura que enfraquece sua imagem pública e escancara a contradição entre o discurso e a prática.

Em tempos em que o clamor por justiça se impõe com urgência, é inaceitável que um parlamentar da República — eleito para representar o povo — se omita diante de um assassinato brutal, apenas porque o crime envolve um aliado político. O respeito que Weverton diz ter pelos militares precisa ser demonstrado não apenas em discursos de palanque, mas, sobretudo, nos momentos difíceis — como este.

Se a morte do policial Geidson Thiago dos Santos não for suficiente para romper o silêncio do senador, ficará evidente, para todos, que, infelizmente, para alguns, a política ainda fala mais alto que a justiça.

Segundo o deputado estadual Wellington do Curso, o delegado que recebeu, ouviu e liberou João Vitor Xavier — César Ferro — seria próximo do grupo político de Erlânio Xavier. Embora a prisão do prefeito tenha sido solicitada dois dias após o crime, até agora o pedido não foi acatado pela Justiça. Nos bastidores, há suspeitas de articulações para abafar o caso e proteger o prefeito licenciado.

João Vitor alega agora problemas psiquiátricos e pediu licença do cargo, estratégia vista por muitos como tentativa de escapar da prisão. Enquanto isso, cresce a indignação com a possibilidade de que o autor confesso do crime esteja livre, circulando por praias e destinos turísticos, enquanto a família do policial lida com a dor da perda e com a sensação de injustiça.

A ausência de uma posição clara por parte do PDT expõe um partido que historicamente se dizia defensor dos direitos humanos e da justiça social, mas que agora se cala diante de um crime bárbaro cometido por um de seus filiados. O silêncio também compromete a imagem de Weverton Rocha e Erlânio Xavier, que não apenas deixaram de se solidarizar com a família da vítima, como também — segundo informações — estariam agindo nos bastidores para tentar culpar a vítima e preservar o prefeito assassino.

Editorialmente, o silêncio fala alto. E quando a omissão parte de quem se apresenta como liderança popular, ela deixa de ser apenas silêncio — e passa a ser conivência.

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