A vergonha na Cabana do Sol: deputados a serviço de um projeto familiar de poder
Parlamentares teriam sido pressionados por Iracema Vale e Marcus Brandão para participar de ato vexatório de apoio político

Após a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão, que terminou empatada nos dois turnos por 21 a 21, alguns deputados que morderam e assopraram naquele pleito acabaram se tornando reféns da presidente Iracema Vale e do todo poderoso Marcus Brandão, irmão do governador. Para manterem seus espaços no Palácio dos Leões e na própria Alema, passaram a cumprir papel de “office boys” do governo estadual e da cúpula da Assembleia.
Nesta quarta-feira (2), o constrangimento atingiu outro patamar. Cerca de 25 deputados estaduais foram, segundo bastidores, “amarrados pelo beiço” e pressionados a posar em uma foto simbólica, durante um almoço na Cabana do Sol, remetendo a um modelo de política coronelista e ultrapassada que envergonha os cidadãos maranhenses.
A imagem, que circulou nas redes sociais, foi interpretada como uma demonstração de força de Iracema Vale e Marcus Brandão, numa tentativa de impor autoridade sobre o Legislativo maranhense. A condução da Assembleia, hoje, parece pautada pelo chicote do mandonismo político e pela lógica dos currais eleitorais — uma herança dos velhos coronéis.
O apoio irrestrito ao chamado “Bebê Reborn”, pré-candidato e filho de Marcus Brandão, expõe um plano de poder que visa consolidar uma nova oligarquia familiar no Maranhão. Tanto Iracema quanto Marcus estariam tentando assumir o controle político do estado por meio de seus filhos, sob as bênçãos do Palácio dos Leões. A movimentação, para muitos, é uma versão colorida do que José Sarney fez por décadas no Maranhão.
Nas redes sociais e nas bases eleitorais, o vexame já repercute negativamente. Muitos deputados aliados estão sendo duramente criticados por participar do ato, que mais pareceu um teatro da submissão política. Diante da repercussão, alguns nomes da própria base governista, como Yglésio Moyses e Ana do Gás, optaram por não comparecer ao evento. Além disso, os 13 deputados que permanecem neutros nessa disputa silenciosa pela sucessão também evitaram associar suas imagens ao episódio.

Para analistas políticos, o movimento foi precipitado, já que cresce nos bastidores a possibilidade de o governador Carlos Brandão disputar uma vaga ao Senado em 2026. Afinal, que político com problemas na Justiça abriria mão da segurança e influência de um mandato de oito anos no Congresso Nacional? A candidatura ao Senado garantiria foro privilegiado, visibilidade nacional e proteção política em um momento delicado.
Enquanto isso, mesmo com todo o esforço de exposição e o uso da máquina pública para impulsionar o nome do herdeiro político de Brandão, o “Bebê Reborn” não demonstra crescimento real nas pesquisas. Seu desempenho parece se restringir ao universo de robôs, perfis fakes e servidores comissionados que, segundo fontes, estariam sendo orientados a comentar e aplaudir publicamente nas redes sociais como forma de inflar artificialmente a pré-campanha do sobrinho do governador.



