O que o governador Carlos Brandão fala em pé não confirma sentado
Governador é acusado de negar em público acordo político com Felipe Camarão e aliados do PT.

O discurso do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), em 2022 não é o mesmo de 2025. A mudança de posição, registrada em vídeo e lembrada por aliados, voltou ao centro do debate político na última semana, quando o governador declarou, durante jantar com correligionários, que “nunca houve compromisso” para apoiar candidatura do PT ao Governo do Estado em 2026.
A fala provocou forte reação nos bastidores políticos. Aliados e adversários classificaram o gesto como mais uma contradição do governador, acusado de descumprir acordos assumidos em público. Para analistas, a postura reforça a percepção de que Brandão adota uma estratégia marcada pelo oportunismo, adaptando seu discurso conforme a conveniência.
No evento, o governador afirmou:
— “Só tem um jeito, a gente tem que ter logo o nosso candidato, porque nunca houve compromisso de apoiar candidatura de ninguém”.
A declaração contrasta com seu posicionamento em 2022, quando, ainda no palanque do então governador Flávio Dino, Brandão anunciou que em 2026 o PT teria um governador, numa referência direta ao seu vice, Felipe Camarão (PT). O registro foi amplamente divulgado pela imprensa e pelas redes sociais à época.
Segundo lideranças petistas ouvidas pelo Portal G7, a negação atual é vista como “mentira descarada” e demonstra falta de lealdade política. A quebra de confiança ameaça aprofundar o desgaste da relação entre Brandão e o PT, partido que já se articula para disputar o comando da sucessão estadual sem depender do governador. Veja o vídeo de Brandão com as versões de 2022 e 2025.
Nos bastidores, a movimentação de Brandão em favor do sobrinho, Orleans Brandão, como eventual sucessor, também gera críticas. Sem experiência política ou administrativa relevante, o nome é interpretado por adversários como tentativa de perpetuação familiar no poder com o uso da máquina pública.
Além da perda de credibilidade, Brandão enfrenta outro desafio: já perdeu o controle do PSB no Maranhão e corre risco de isolamento político caso insista em desconsiderar acordos firmados com aliados estratégicos. O PT pode ser o próximo partido a desembarcar do Palácio dos Leões.
A prática já é recorrente. Brandão desprezou Flávio Dino, tenta agora marginalizar o PT, descredencia Felipe Camarão e desrespeita a senadora Ana Paula Lobato, que recentemente assumiu o comando do PSB no Maranhão. Enquanto rompe pontes com quem o sustentou politicamente, estreita laços com atores que nada tiveram a ver com sua ascensão, apenas para alimentar seu projeto pessoal de poder em 2026.
O que se revela é um comportamento marcado pela ingratidão e pela traição. Brandão parece esquecer que chegou ao governo pelas mãos de um grupo que agora busca sabotar. Sua incapacidade de manter alianças sólidas expõe não apenas fragilidade política, mas também um estilo ultrapassado de fazer política: centralizador, personalista e de feições coronelistas.
A velha máxima cabe como luva: “A política ama a traição, mas abomina o traidor”. O Maranhão assiste, mais uma vez, a um político que se vende como gestor moderno, mas que atua com métodos antigos, sustentados pela conveniência e pela mentira.
Carlos Brandão insiste em se apresentar como vítima, mas cada vez mais assume o papel de vilão. E, como toda narrativa incoerente, a conta dessa postura pode chegar antes de 2026.



