Braide exonera Maurício Itapary da SMTT em meio a escândalos na gestão
Exoneração ocorre após denúncias envolvendo a SMTT ganharem repercussão na imprensa; para se descolar da crise, prefeito opta por sacrificar o secretário.

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), voltou a recorrer à caneta para tentar conter crises em sua gestão. Desta vez, o alvo foi o geógrafo e servidor público federal Maurício Itapary, que acabou exonerado da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).
A decisão ocorre em meio à repercussão de denúncias envolvendo a SMTT, reveladas pela imprensa, e reforça um padrão já observado na administração Braide: diante de escândalos, o prefeito costuma afastar auxiliares diretos para preservar sua própria imagem política.
Nos bastidores da Prefeitura, a avaliação é de que Itapary foi usado como “escudo” para afastar o desgaste do Palácio de La Ravardière. Antes dele, outros nomes já haviam sido sacrificados em momentos de crise, como Ana Carla Figueiredo Furtado, ex-secretária da Semcas; o jornalista Igor Almeida, que comandava a Secretaria de Comunicação; Marcos Duailibe, exonerado da Secult; e Diego Rodrigues, afastado da SMTT após se envolver em episódio polêmico relacionado à liberação, durante a madrugada, de um veículo pertencente a uma juíza que havia sido apreendido.
Maurício Itapary chegou a comandar duas pastas estratégicas da administração municipal. Com a exoneração, deverá retornar ao cargo de servidor público federal. Ele ingressou na gestão Braide como subprefeito da região do Centro e, em 2024, assumiu interinamente a Secult após a saída de Marcos Duailibe. Já em março de 2025, foi nomeado para a SMTT, substituindo Diego Rodrigues, amigo pessoal da família Braide, afastado após sucessivas controvérsias.
Segundo apuração do Portal G7, a demissão de Itapary foi comunicada pelo próprio prefeito por meio de uma ligação telefônica na noite desta terça-feira (27). Na mesma conversa, Braide teria informado que o ex-secretário também não retornaria à Secretaria de Cultura.
Considerado homem de confiança do prefeito, Itapary vinha executando e assinando decisões diretamente alinhadas às determinações do chefe do Executivo municipal. No entanto, após a divulgação de um contrato da SMTT estimado em quase R$ 13 milhões para serviços de paisagismo em São Luís, o secretário passou a ser visto como um passivo político.
Para preservar a própria imagem e manter o discurso de gestor técnico e distante dos escândalos administrativos, Braide optou por afastar Itapary e seguir intacto no comando da Prefeitura. Informações de bastidores indicam que a forma como ocorreu a exoneração deixou o ex-secretário profundamente insatisfeito e magoado com o agora ex-chefe.
Mais uma vez, a estratégia parece clara: diante da crise, o prefeito não se detém em apurar responsabilidades mais amplas dentro da gestão. O objetivo imediato é um só — livrar a própria pele, ainda que para isso seja necessário trocar secretários como peças descartáveis no tabuleiro político.



