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Whindersson Nunes: O piauiense que orgulha nordestinos

Ele detalha planos para o cinema e expõe desafios das redes

O Brasil é um verdadeiro celeiro de talentos em todos os seguimentos: esporte, arte, música, humor, comunicação e cultura. No nordeste apesar da forte seca, Deus caprichou ao distribuir talentos: uns chegaram a receber vários tipos e modelos. Gente como Tirulipa, Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Chico Anísio, Renato Aragão e Mução, devem ter entrado na fila várias vezes, já que receberam vários tipos.

Dois desses citados acima estão entre os que mais vejo diariamente e encontro 99% de minha história embutida na história deles. Whindersson Nunes e Tirulipa são verdadeiros exemplos de vida e mostram que a vida só tem sentido, se for com muita luta, respeitando os obstáculos que surgem diariamente.

Sem desmerecer os demais, Whindersson Nunes é hoje a maior referência e orgulho dos nordestinos ao vencer na vida, “atropelando” os pessimistas, mostrando que falar bonito nem sempre encanta, principalmente um povo que sofre por homofobia, racismo, preconceito, falta de emprego e até morre de fome, já que não somos vítimas da sociedade, como alguns classificam, mas sim, vítimas de um seleto grupo de políticos que roubam e ainda compram votos nas eleições com o dinheiro do roubo.

Foi sem falar inglês, e na força e na coragem, como ele mesmo gosta de falar, aquele menino que nasceu em Palmeira do Piauí e cresceu em Bom Jesus do Piauí, venceu na vida, conquistou o Brasil e os brasileiros, apenas fazendo o que o povo gosta: sendo ele mesmo e verdadeiro em suas palavras, sem maquiagem e com muita humildade. Abrir portas neste pais, tem duas opções: com chave ou no murro. Whindersson Nunes e Tirulipa criaram uma terceira opção: abrir com talento e humildade.

— Estou fraco, estressado, dando falta de tudo que era abundante e não dava valor — diz o piauiense de 27 anos, um dos maiores youtubers do Brasil, com 43,4 milhões de inscritos em seu canal. Whindersson Nunes é aquele sobrevivente da pobreza, que não mudou tudo, menos seu jeito de ser. Gente daquele que a conta bancária e os grandes amigos não mudam sua humildade.

A pergunta que paira é: por que razão esta potência das redes sociais (56,3 milhões no Instagram, 23,8 milhões no Twitter; 19,9 milhões no TikTok) e do stand-up comedy (no show de Manaus, em dezembro, juntou 30 mil pessoas num estádio), chamada Whindersson Nunes, decidiu dar a cara, literalmente, a tapa? A resposta é simples! Quem já enfrentou falta de comida na mesa, seca, calor e preconceito por ser nordestino, vai ter medo de Popó?

A resposta de Whindersson Nunes ao questionamento foi mais humilde, estilosa, sem agressão e com muita humildade. Ele realmente é um verdadeiro lutador!

— Gosto de viver outras vidas. É legal fazer algo diferente para poder abrir a cabeça. Engraçado falar “abrir a cabeça” e lutar contra o Popó, né (risos) — diz ele.

Com a autobiografia “Vivendo como um guerreiro” recém-lançada e a caminho dos EUA e do Canadá para uma turnê de shows de stand-up, que começa na quinta-feira (3/3), o jovem de Palmeira do Piauí conversou com O GLOBO sobre planos para o cinema e a música, depressão e desafios da vida digital. O G7 vai repercutir para seus leitores e seguidores. Veja abaixo na íntegra.

1 – Você é descrito como uma pessoa determinada e resiliente. De onde vem isso?

Whindersson Nunes: Do Piauí. Claro que muito da determinação vem do caminho percorrido. O medo de fracassar faz com fiquemos cada vez mais preparados.

2 – Ano que vem, você completa dez anos de carreira. Que balanço faz desse tempo?

Acho que fiz uns 75% de tudo o que planejei. É acima da média. E aí você entende a hora de descansar, percebe que não é uma máquina, e sim uma pessoa normal (Whindersson promete dar uma pausa na carreira no segundo semestre). Acho que criei um grande respaldo, e isso me dá longevidade.

3 – Você começou com vídeos mais longos, hoje faz Shorts (peças curtas do YouTube) e TikTok. Para onde caminha o audiovisual na internet?

Entendo mais de gente do que de plataformas. E sei que a galera quer e gosta de consumir coisas rápidas, mas o pessoal é de lua. Tudo é uma tendência, todo ano tem um negócio novo.

4 – Como você se adapta a tantas novidades e demandas?

Entro nas coisas depois que já dei uma olhada, estudei um pouco, em vez de ir junto com a febre. Desde sempre, tive um pouquinho mais de paciência do que os outros.

5 – Foi assim com o TikTok?

Sim. Lá, tenho quase 20 milhões de seguidores e nem cem vídeos. Não tenho uma dancinha, mas não porque eu odeie ou não goste de quem faça. Prefiro montar minha estratégia. Qualquer dia pode sair uma dancinha, mas vai ser de um jeito original.

6 – Quem são criadores de conteúdo que te atraem?

Acho o Will Smith massa. No Brasil, o Casimiro é legal. Temos que nos acostumar a novos ídolos todos os dias. Estamos na era mais revolucionária de autossuficiência. (É o momento) para ser amado sem precisar parecer outra pessoa. Casimiro me parece um cara único. Acho que autenticidade vai ser algo mais rotineiro. Mas, na mesma proporção em que aparecem pessoas originais, surgem cópias. É natural. Todo mundo está aprendendo a se expressar mais.

7 – Você tem um projeto de trap, com o alter ego Lil Whind, e está fazendo sucesso com “Morena”, música com João Gomes. O que almeja musicalmente?

Nada. Nem na música, nem na luta, nem em lugar algum. Sei fazer música, então faço. É muito legal representar de onde você vem de todas as formas possíveis. Claro que adoraria ganhar um prêmio foda, tipo um Grammy. Mas não há um sentido além de me expressar.

8 – Na autobiografia, o primeiro assunto é a morte do seu filho, João Miguel, em maio de 2021, com 22 semanas. Por que começar assim?

Preferi falar logo do que era mais doloroso. Primeiro vem a dor, depois o famoso alívio cômico.

9 – Você passou por uma forte depressão. Como está a saúde mental agora?

Estou mais tranquilo, centrado. Ser uma pessoa pública e ter muitas turbulências ao redor atrapalha um pouco. Então, ficar na minha e planejar as coisas me deixa mais confortável. A própria luta (de boxe) é um foco, dá possibilidade de viver melhor.

10 – No livro, um assunto é a cobrança sobre se posicionar contra o governo, mas você reitera que tem um jeito próprio de se manifestar. Como é esse jeito?

As pessoas tendem a achar que têm o direito de fazer você ser como elas querem. Não gosto de política e de político. Sou lá de cima, lugar onde eles brincam sobre quem foi melhor, quem ajudou mais ou quem fodeu mais. Fico com raiva desse joguinho. Tento fazer o meu próprio game: incluir as pessoas nas minhas paradas. A Rafa (Vilela), que fez o prefácio do livro, é uma mulher trans. Não quero um troféu por isso, mas acho que é daí que tenho que partir. Poderia estar debatendo se o Bolsonaro é mais merda ou menos merda. Poderia estar falando o que todo mundo já sabe, mas não quero passar a vida inteira batendo boca.

11 – Mas como controlar o sangue nas redes?

Às vezes, eu ligo, ninguém é de ferro. Mas penso: “Isso aqui não é vida real.”

12 – O que lhe falta, profissional ou pessoalmente?

Valorização do mercado. Das pessoas, tenho mais do que mereço. Do mercado, ainda não. Tenho vontade de fazer um filme que me pague muito bem para eu parar tudo e me dedicar só a ele.

13 – Você já disse ter planos de filmar a Batalha de Jenipapo (um confronto da Independência que aconteceu no Piauí, em 1823). O “mercado” não quer colocar dinheiro nesse projeto?

Esse filme não vai depender de ninguém. Estou a fim de fazer um negócio bom, uma obra de arte mesmo, como se pinta um quadro. É bem difícil, mas a gente consegue se quiser. A mesma coisa da luta. É difícil acreditar, né? (Talita Duvanel)

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